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Mostrando postagens com o rótulo quarto de histórias

faz parte

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Tristeza faz parte. Tristeza faz arte. E faz. Chega ao ponto de ser algo natural.  Tristeza chega e com ela vem o choro, fácil. Lágrimas que doem se não forem expostas. Lágrimas que desconfiguram um rosto se não escorrerem feito rio. Rios nunca são os mesmos. E passam e levam e arrastam. Olhos chororos nunca são os mesmos. E ardem e expulsam e aproximam. Das coisas que não permanecem que fiquem ao menos uma saudade nostálgica que não quer ter volta. E voltam. Um novo rio. Incessante. Uma vida escorrendo, não tem jeito. Tristeza faz arte. Quando não mais encontra espaço, a face vermelha arde e pesa e o sentimento ganha voz. Voz baixa, forte, devastadora. Tristeza não filtra. Tristeza expulsa e põe pra fora. Tristeza não fica a refletir e sim a se livrar. E daí, amor sofrido vira poesia. Ausências viram crônicas. Saudade vira fotografia. E assim, a vida escorre e passa e leva e limpa. Mas que assim não se seja por toda hora. Alegria também faz pa...

Leonardo, os gibis e as etiquetas.

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Parte I Leonardo acordou quando a noite já estava chegando. Da janela do seu quarto viu as últimas pinceladas amarelas no céu e decidiu se levantar daquela cama. Segunda era o único dia da semana que Leo podia fazer o que quiser, desde acordar tarde a não sair do quarto. Na semana, Leonardo tinha que ir ajudar o seu Pai a vender pipoca, sucos, algodão doce e chocolate quente, na praça e na calçada do cinema. Ele e o Pai acordavam cedo e saiam para comprar o que iriam precisar. Iam andando até a Rua das Vendas. Era uma caminho longo, mas iam conversando e seu pai sempre contava algumas histórias. Na volta para casa, com algumas sacolas nas mãos, seu pai contava o final das histórias. Leo gostava tanto das invenções de seu pai que nem sentia o peso das compras. A Mãe preparava o chocolate e os sucos; Leo ficava colocando pedaços de algodão doce em saquinhos e o Pai limpava o carrinho, as garrafas e a panela das pipocas. Mas era segunda e Leo não queria saber de algodão doce. Ele sentia...

Atrás daquela porta

O escuro reinava soberano naquele castelo imaginário que era a garagem. Luca ia para lá, quando a tarde teimava e ia embora. A única janela que lá tinha dava para uma árvore grande e gorda de folhas. Quando estava no céu, o sol insistia em passar pelo meio daqueles galhos, pintando de dourado aquela garagem fria. Mas era difícil. A árvore era fiel a Luca; o conheceu ainda pequeno; simpatizou com seu jeito de menino esquisito da família desde a primeira vez que fora se refugiar e chorar no lugar mais distante e com cheiro de mofo da casa. Naquela tarde, os sonhos secretos de Luca foram ameaçados. O pai, não usando mais aquele espaço da casa, insinuou destruir a antiga garagem e fazer uma piscina. A família sabia que Luca tinha feito daquele lugar o seu mundo. Só não sabiam e nem queriam saber, o que ele fazia quando entrava pela porta amarela no final do corredor . Era melhor ele lá dentro, do que solto na rua. A mãe já se acostumara com as manias do filho e não se importava de ele pass...

pequena insônia

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Era madrugada e Taíssa estava sem sono. Leu algumas páginas de seu livro da capa verde. O sono insistia em não chegar. Imaginando-se num castelo, sentou-se na cama com as pernas cruzadas e escovou o cabelo cem vezes. Uma vez, tinha lido que princesas, antes de dormir, escovava o cabelo cem vezes. Abriu a janela e um vento frio invandiu o quarto sem cerimônia. Perdeu as contas e muitos fios de cabelo. Nem sinal de sono. Não tinha relógio no quarto de Taíssa, mas ela sabia que era tarde. Seu papai já estava dormindo, sua mamãe já tinha desligado a TV e o seu abajur estava quente. Ela sabia que quando o abajur estava quente era porque muito tempo já tinha se passado. Deus, por favor faça que eu durma, amanhã tenho aula cedinho. Taíssa deitou a cabeça no travesseiro e levantou as mãos. As unhas ruídas, um arranhão na ponta do dedo maior. Taíssa balançava as mãos como se estivesse se despedindo do escuro. Criou coragem, desligou a luz e se cobriu com o seu maior escudo: o lençol. Não sei se...

um buraco preto no vestido

O padre veste a batina. O noiva aperta a gravata. A mãe da nova ajeita as flores dos bancos. O bebê chora com calor. A tia gorda reclama de fome. O dia do casamento chegou e nem sinal da noiva. O celular estava no bolso da calça do futuro marido. Os convidados estão preocupados, olhando para o relógio a cada minuto. Menos a prima do interior que já está planejando o casamento com o primo forte, estudado e que mora num apartamente de rico. Uma criança que corria pela igreja grita: "a noiva está chorando na escada!" Começa uma maratona no tapete vermelho. A mãe corre; o noivo corre; o pai corre; a tia gorda corre; o padre reza e a prima do interior bate palmas. Agora ela desencalha! O noivo pergunta o motivo do choro. A mãe diz que não vai pagar hora exte pela igreja. A noiva chora, enxuga as lágrimas e se levanta. As mulheres da família da noiva desmaiam. Tinha um buraco no vestido que mostrova a calcinha preta! Era tradição da família da família casar usando calcinha preta, m...

Não é chapéu que faz a bruxa

Era uma rua aparentemente sem saída. A casa do chapéu ficava na casa 9 do lado esquerdo na Rua silêncio das línguas cansadas. Não era uma rua comum, nem uma casa comum. Fazia sol no lado esquerdo, chovia no meio da rua e tinha estrelas no lado direito. Quando já estava quente demais, molhado demais e escuro demais, as coisas se invertiam: tinha estrelas no lado esquerdo, fazia sol no meio da rua e chovia no lado direito. Isso o leitor já entendeu. Voltemos a casa 9. Era de madeira, tinha um janelão de vidro, uma placa de madeira no telhado, um toldo listrado e uma porta que não tinha trinco do lado de fora. O velho Brant era o dono da chapelaria . Sempre que o sol ficava no lado esquerdo, ele tirava um cochilo . As pessoas não costumavam entrar lá quando ficavam de cabeças quentes, porque de cabeça quente, não se presta atenção a nada. Um dia, quando chovia no lado esquerdo, uma menina bateu na porta. O velho Brant levantou-se da cadeira que balançava, abriu a porta com a maçaneta ...

A fita, o vestido e a jaqueta.

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Lidu sentou na parada do ônibus. Tinha mais duas pessoas, mas ela não se importou com isso. Uma fita vermelha envolvendo o pescoço e unindo as pontas em um laço, um vestido floral e uma jaqueta roxa a deixava divertida entre tantas camisetas de um cor só e calças jeans azul. Vermelho, flores e roxo não é lá uma combinação que agrada a todos. Mas tal combinação agradou Lidu e a deixou linda. Em outra pessoa, poderia não ficar a mesma coisa. Quem sabe, delicada, mas linda não. Linda só Lidu ficava. Um velho vento úmido trazendo notícias da chuva batia em seus cabelos. Lidu não se incomodou; continuou com a mão no queixo e soltou um sorriso tão discreto que as duas pessoas de óculos escuro que estavam por perto não puderam perceber. Quem estivesse sem pressa e usasse uma combinação fora do normal perceberia. O ônibus apareceu na esquina. Lidu se levantou;o vento insistiu em levantar as florzinhas do seu vestido, mas, dessa vez, segurou desajeitadamente o vestido e fez uma cara de dona das...

perguntas de crianças.

O homem barbudo entrou na sala. Tinha um um andar caído para a direita e um olhar apertado que parecia querer ver o que aquelas vinte crianças pensavam. Foi até o meio da sala e se apresentou. Seria, a partir daquele, o professor de filosofia da 5ª série. O segundo professor de filosofia daquelas crianças. O primeiro era prático demais; uma vez, tentando provar a existência do elemento fogo em todas as coisas, tocou fogo no caderno de matemática de uma menina que sentava na primeira fila - desde esse dia ela senta na segunda fila. Após a rápida apresentação falou que não seria ele que daria aquela aula. Um barulho de perguntas se espalhou pela sala, até que a porta da sala se abriu e por ela entrou três homens usando calças jeans . Um menino de cabelo assanhado perguntou quem e o que aqueles estranhos homens faziam na aula de filosofia deles. Antes de responder, eles pediram para as crianças afastarem as cadeiras e sentarem no chão fazendo um círculo. Assim, todos podiam se olhar sem p...

Luiza e os vagalumes.

Luiza adorava fadas. Desde que conseguiu alcançar a prateleira e a entender as letras, preferia ler livros que tivessem, ao menos, uma fadinha perdida pelas páginas. Sua mãe sempre que encontrava alguma coisa de tivesse asas pequenas e coloridas comprava, enrrolava num papel colorido e colocava dentro da caixa de surpresas de papelão que ficava na segunda porta do guarda roupa de Luiza . Ela, quando ir dormir, deixava apenas a luz do abajur ligado, abria a segunda porta do guarda roupa, colocava as mãos dentro da caixa com os olhos fechados e tirava alguma surpresa. Tinha noites que nada tinha dentro da caixa e Luiza pensava que as fadas tinham errado o caminho e que, no outro dia, elas iriam aparecer. Mas, quando suas mãos pequenas sentiam algum embrulho, ela tirava com rapidez, rasgava o papel e tirava sua pequena coisa de fadinha. Ela sempre gostava; para ela não existia coisas feias, apenas coisas que não recebiam atenção. Pegava sua surpresa, escolhia em qual prateleira coloca...

versão 3 e 4

A versão do gato Gato: - Eu estava conversando com minhas pulgas, quando... Detetive : - Conversando com quê? - Com minhas pulgas, ora. Você não conversa com seus botões, então. Dava eu dando trato às minhas pulgas, quando aquela histérica da minha dona começou a pular feito um bocó -de-mola no meio da sala... - Ela gesticulava o quê? - Por acaso eu falei em gestos? - Hã, é que..., nada. Prossiga. - Pulava desvairada como ela só, jogando a roupa meio bêbada... - Ela bebe? - Bebe. Bebe e fuma. - Maconha , eu suponho. - Não precisa caluniar, a casa é de família. Fuma tabaco; tipo Sherlock Holmes , aquele teu colega. - Ah, foi mal. - Chegou bêbada e com calores da menopausa... - Uma jovem com menopausa? - Ela não é tão jovem, e o senhor nunca ouviu falar em menopausa precoce? Ejaculação precoce já, né ? - Deixa pra lá. Prossiga. - Pulou como veio ao mundo, doidona , um homem entrou gritando, bateram a porta do quarto na minha cara sem a menor consideração felina , e pá pum. - Pá pum, o q...

versão 2

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A versão da porta: Lá estava eu, vivendo minha monótona vida. Minha presença passou despercebida e insignificante. -Despercebida? Você, por acaso, sofre de déficit de atenção? Todo dia, no mínimo, passo por umas dez portas. -Mas você nunca foi uma porta para saber como é monótona uma vida de vai e volta. -Tá, tá, prossiga... Ninguém notou-me, cumprimentou-me; era um nada como sempre, servindo, apenas, como elo de ligação entre a salar da casa e o corredor. -Dá pra ser menos dramática? -Senhor Detetive, não é drama, é poesia. -Poesia...Nunca vi porta fazer verso. -Se não parar de me interromper, fecharei o trinco e não direi mais nada. -Olhe o respeite, Dona Porta! -Que foi? Vai colocar-me dentro de uma prisão e oferecer-me comidas nojentas por meses? -Tudo bem, me desculpe. Fale logo tudo que viu, rápido. Enquanto estava trancada, a Mulher se exibia na janela. Não consegui ver para quem ela tanto mexia nos seus cabelos. -Ela ameaçou tirar a blusa? -Como é? -Tirar a roupa, ficar assim, ...

versão 1

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A versão do velho de binóculo: Nada detalhado posso falar do acontecido. Estava em casa, aouvindo meu rádio... -Que rádio? -Não me lembro. -Continue. ...quando me deparei com uma atraente mulher no apartamento da frente. Era linda demais e não tinha se dado conta dos olhares que a examinava. Mas não demorou muito para perceber a minha presença. Então, começou a fazer estranhos gestos com a mão... -Que gestos? -Já ia falar. -Desculpe-me, continue. ...que, só depois de um tempo, notei... -Quanto tempo? -Sei lá! Faço o favor, senhor detetive, de me escutar? -Ah, claro! ...notei que gesticulava números. Só poderia ser um número de algum telefone. -Por que achou isso, velho assanhado? -Ora, ela estava dançando na janela para mim. -Como sabe que era para você? Ela disse seu nome? Como ela estava vestida? -Lógico que era para mim! Ela estava com um vestido curtinho. -Ela sempre faz isso? -Faz, mas é a primeira vez que dança olhando diretamente para minha janela. -Queria ter vizinhas bonitas.....

sincero testemunho de uma pobre feliz - parte 1

-O ano acabou e eu, mais uma vez, não cumpri a minha lista de objetivos. Primeiro, perdi os caroços de uva, que guardava na bolsa por que diziam que dava sorte. Não coloquei silicone porque o médico pensou que eu tinha mais de dois peitos e cobrou por quantidade indeterminada de objetos a serem aumentados. Não estirei meus cabelos porque começaram a dizer que tinha formol na fórmula. Que eu saiba, formol se coloca em gente morta, eu não morri ainda. Não viajei para a Pequim por causa que a macumbeira, que é minha vizinha, disse que o avião ia perder o controle, vagar no céu sem destino e cair no meio do deserto. Não sou muito de acreditar nessas coisas, mas a peste da mulher é tão ruim que eu tive medo de ser esmagada pela porta do aeroporto, sem chegar ao menos no portão de embarque. Não engravidei com medo de que alguma mutação atacasse meu filho. Só comi pão integral porque vi na televisão que pão de massa branca funciona como uma cola no estômago. Não comprei nada com o cartão de c...

7. Ansiedade

Relógios são teimosos. Sem eles, o tempo seria mais livre para passar sem ser vigiado e nós inventaríamos algo para fazer enquanto a hora certa não chega. Mas eles existem e prendem nossa atenção, principalmente, quando queremos que o ponteiro da horas tenha a agilidade dos segundos. Que horas é esse mais tarde? . venha aqui mais tarde. se não puder sair de casa, . Mais tarde...depois da tarde vem a noite. Uma parte já decifrei, mas a noite é grande e tem muitas horas. Se não puder sair de casa...posso sair de casa até a hora de meus pais forem dormir, isso acontece lá pelas dez horas. Ainda são três da tarde e alguma coisa que me deixa inquieto, com uma vontade de girar o botão do relógio, sem sono está tomando conta do meu esqueleto de criança. Mamãe chama isso de ansiedade - os adultos têm nome para tudo. Se eu trancar a porta do quarto, foi para a varanda e gritar para o alguém do terceiro andar que estou sozinho, será que o alguém vai falar comigo? Eduardo ficou ansioso durante to...

6.Teoria quase certa

"Eduardo, você anda lendo esse livro? Eduardo, estou falando com você!", "Estou dormindo, mãe.", "Você nunca leu esse livro que seu pai e eu lhe demos no ano passado", "Que livro, mãe? O livro que a senhora está perguntando, pegaram emprestado", "Pois já lhe devolveram e você não está se lembrando." "O livro está aí??", "Eduardo, Eduardo...está na hora de acordar, já são meio-dia" Eduardo levantou-se da cama. Ao colocar os pés no chão, sentiu um papelzinho grudar no seus dedos. Quanto papel espalhado...sei que não posso falar, mas acho que minha mãe está ficando louca. Está aqui escrito que o livro está emprestado e que a pessoa que pegou só vai devolver, hoje. Mais um pedaço madeira amarrado num papel cai de algum lugar do céu, na varanda. Agora está chovendo papel, é? Só falta ser alguém avisando que vai pegar meu quarto emprestado e só vai devolver quando quiser! . obrigada pelo livro. coloquei em cima da mesa. ....

5. Fique atento enquanto dorme

Estou sozinho em casa. Papai falou com Senhor Neo para dar uma olhada em mim enquanto eles estivessem fora. Meus pais e meu irmão saíram para um lugar onde crianças de menores de dez anos não podem entrar. Meu irmão tem doze; ele foi e vai passar a noite inteira educadamente sentado conforme as recomendações da mamãe. Eu sei que as comidas desses lugares são boas, mas virar estátua pra comer? Prefiro ficar aqui. Ao invés de olhar, Senhor Neo me chamou para a casa dele e fez um sanduíche enorme, sem alface e sem recomendações saudáveis do tipo: cebola faz bem para o coração, cenoura faz bem para os olhos, brócolis deixa os cabelos enrolados...sim e o que faz bem para a fome da barriga? Bem que o Senhor Neo poderia fazer muitos sanduiches para eu montar um estoque aqui no quarto; amanhã, penso nisso. Depois de acalmar minha fome, fui até a instante de muitos, muitos livros. Também tenho muitos livros; no meu quarto tem duas prateleiras de um metro (papai e eu que fizemos) que estão...

4. Barulho na escada

A velha Zalu veio aqui, hoje, e disse que ia passar alguns dias viajando. Foi visitar o filho em alguma cidade com nome de santo. Como não vai demorar muito, acho que não vou chegar a sentir falta dela. Espero que volte até domingo, não quero enfrentar os arames do portão daquela velha. O melhor de tudo isso: o gata viajou! Não é desejando desgraça para aquele bigodudo , mas não seria nada ruim se ele perdesse a capacidade de miar. Nunca vi gato que não mia...ele poderia ser o primeiro. Mamãe teve a paciência de arrumar o meu quarto. Não que eu goste, mas estava precisando. Eu a ajudei com as arrumações e esconde coisas que se ela visse, com toda a certeza, jogaria no lixo. Minha mãe não consegue entender a utilidade de palitos de picolé fios velhos de telefone. Tenho um saco com mais de cinquenta palitos e eles já me foram bastante ú teis - fazer armadilha pro gato da velha Zalu , construir canoas para os meus bonecos marinheiros caçar formigas melando o palito com açúcar ... São ...

3. Uma noite sem sono

Não estou com sono. Ao invés de gritar, hoje, vou até a casa do Senhor Neo pedir para ele tocar algo diferente. "Senhor, Neo!", "Entre, Eduardo. Já estava na janela esperando o seu grito.", "Preferi vim aqui lhe desejar uma boa noite e... toca algo naquele seu instrumento que eu não sei o nome?" "Bandolim, Eduardo.", "Bandolim? Nunca escutei um bandolim.", "Só se você não se importar com os erros...há muito que não toco. Quer dizer, sei muito pouco de bandolim." "Tudo bem, Senhor Neo, também não entendo de bandolim.", "Então, suba, abra a janela e dê três pisadas fortes no chão...começarei a tocar. "Amanhã, lhe conto meu sonho, Senhor Neo." "Mesmo dormindo, Eduardo, fique atento. A noite é um mistério e só quem a desafia...", "Desafiar a noite? Tenho medo do escuro!", " Basta, ficar atento, pequeno..." Senhor Neo é muito confuso, às vezes. Como eu vou dormir e ficar atento...

2. Os vizinhos

Quando eu era pequeno e tinha medo de dormir sozinho, o velho do primeiro andar dizia que enquanto a música estivesse tocando, nada aconteceria comigo. Acostumei-me a dormir o ouvindo tocar. Na hora de ir dormir, apareço na minha janela e grito, " Senhor Neo, boa noite!", "Incríveis sonhos para você, pequeno!". Ele não costuma me desejar uma boa noite; diz que ter sonhos incríveis é a melhor forma de tornar a noite boa. Ao acordar, eu que decidiria se a minha noite tinha sido boa. Ela não costumava ser ruim. Só quando não sonhava com nada, com nenhuma aventura e acordava parecendo que tinha dormido sem cerébro. A velha Zalu é uma boa pessoa, mas não achava isso antes. Uma vez o gato dela foi fazer o passeio diário e quase morreu atropelado pelo caminhão do lixo. Eu, que estava sentado na calçada brincando de bila, vi e fui salvar a vida daquele gato infeliz que passa o dia miando. Não gosto de gatos, são traiçoeiros. A velha Zalu não acha; ela tem um filho, mas não ...

1. Os andares da casa

É uma casa chamada Mundo de três andares sem grades nas janelas. Eu a chamo de Mundo pelo fato de ela ser muito grande e ter esconderijos preciosos e escuros descobertos nas minhas expedições vestido de pirata. No primeiro mora um velho simpático com um cabelo marrom com branco que toca violão, flauta e alguma coisa que eu não sei o nome toda noite. Moro no segundo andar com minha mãe, meu pai e uma irmão estranho. Costumam me achar estranho, mas eu não sou; ele quem é. Bem, o terceiro andar há muito não é habitado por alguém, que eu saiba. A casa é antiga; tem aparência de coisa que é guardada dentro de uma caixa e a cor desbotou. As paredes são de um azul desbotado e sujo e as portas e as janelas tem uma cor laranja, que quando abertas parecem retângulos pintados em uma tela azul desbotado e sujo. A rua é calma. Em frente a Mundo mora a velha Zalu que cobra mensalmente os aluguéis dos andares. Ela é uma velha boa e faz doces tentadores. O portão de entrada é cinza, tem umas pontinhas...