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Mostrando postagens de Setembro, 2010

Confissão.

Achar uma pessoa chata é algo relativo. Uma pessoa pra ser chata precisa fazer algo que você não gosta ou fazer muito algo que você gosta muito até o ponto começa a achar essa pessoa muito chata. Mas, existem pessoas que eu acho chatas sem motivo algum aparente. Uma pessoa que nunca fiz nada por mim, nem me tratou mal, nem deu em cima do meu namorado, nem ficou falando besteira por segundos seguintes, nem pegou uma lapiseira e não devolvou tem tudo para ser uma boa pessoa, até legal, mas não é, simplesmente, pelo fato de eu achá-la chata. Confesso que falar isso me faz lembrar daquelas pessoas otimistas, que acham tudo bom, dizendo: não se deixe levar por um primeira impressão ruim, tudo pode melhorar. Tomara mesmo que uma coisa ruim melhore, mas há pessoas que, nem eu tendo a décima impressão, vou deixar de achá-la incrivelmente irritante. Existe pessoa que você conhece porque enfim, tem algo em comum você. Tipo, faz a mesma faculdade, assiste as mesmas aulas e por coincidência, ou n…
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"Qualquer caminho é apenas um caminho e não constitui insulto algum - para si mesmo ou para os outros - abandoná-lo quando assim ordena o coração (...). Olhe o caminho com cuidado e atenção. Tente-o tanto quanto julgar necessário. Então, faça a si mesmo, e apenas a si mesmo, uma pergunta: possui este caminho um coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, este caminho não possui importância alguma."
 (Carlos Castaneda ~ Ensinamentos de D. Juan)

passa, repassa e despassa.

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Encostou a cabeça na janela e ficou vendo as coisas passarem. Passa a rua, passa gente, passa carro, passa o tempo. A blusa suada grudada na pele fica lembrando o calor que não passa. Passa a calma, passa o sono, passa a roupa, passa o tempo. O ônibus para em cada parada e as coisas param de passar. Então, passam bêbados, passam gordos, passam perfumes insuportáveis, passa o tempo. O ponteiro da hora marcada passa da hora e tudo demora. Passa tudo, passa por cima de tudo, o tempo passa sem parar.

O quente e o gelado

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Melhor do que aconchego de um jato de água morna, é a agressão de um jato de água gelada. Água morna já acalma antes mesmo de encostar em um pedaço de pele. Água gelada é tensão. É tensão por saber que, daqui alguns segundos, faquinhas disfarçadas de gotas vão encostar nas costas quentes de algum corpo recém-agitado. É tensão por saber que aquele contato vai ser inevitável caso não se tenha chuveiro elétrico, ou não queira ir até a cozinha, esquentar a água, jogar num balde, levar o balde e ainda trazer um copinho pra derramar água devagar na cabeça.  O quente queima. O gelado maltrata. O quente renova. O gelado faz é nascer de novo. Quente demais pertuba. Gelado demais angustia silenciosamente. No quente, muito quente, não tem jeito. No gelado, muito gelado ainda há uma saída. Abrir o chuveiro e se jogar na água. Sem espera, sem preparação, sem pressentir o que estar por vim. Se jogar e ficar e sentir como se pedaços velhos tivessem se congelando e caindo, caindo, caindo...até sobrar …