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vou ser uma velhinha legal

"Sorte de hoje: Nós somos o que pensamos (só não pense que você é um super-herói e não tente voar)" - O orkut é um sábio, nossa. Na verdade, esse 'site incrível' já foi objeto de prazer da minha curiosidade. Quando digo 'objeto de prazer da minha curiosidade' significa que já não passo horas da minha vida vendo a vida dos outros em fotos, quem está namorando, quem acabou o namoro, as frases da clarice lispector, do drummond, do manuel bandeira resumidas a um 'quem sou eu'. Já fiz muito isso! Passava horas buscando frases de impacto emocional para me descrever e para surpreender quem lesse. Sucesso zero, assumo. Drummond deve ter um acordo com alguma força aculta que proiba o uso de seus versos para fins exibicionistas. E demorei algum tempo para descobrir isso. Bem, não foi uma epifania. Passei a ler, apenas ler. Ler para ler. Abrir um livro, ler, ler, ler, ler, fechar o livro e ficar com as palavras seguindo a maré sanguínea dos meus pensamentos. No ...

tem dias que eu odeio escrever.

Você bem que poderia falar mais ao telefone Ou então me ligar mais. Ligue-me sempre que pensar em me ligar. Mas se eu não atender, verei o teu nome gravado, e já irei sentir falta da tua voz. - Você bem que poderia demorar mais quando viesse por aqui. Ou então vir mais vezes, todos dias. Venha sempre que sentir vontade de me ver. Nem que seja naquele minuto livre do teu dia. Posso até não querer que você vá embora assim tão rápido. Mas se você disser que virá no outro dia, já irei sentir falta da tua voz. - Você bem que poderia ligar-me agora vir aqui agora falar-me que me amas sem pressa repetidas repetidas e repetidas vezes. - Assim, bem que eu poderia esquecer-me de todo o resto. Menos de você. Escrevi coisas em um papel durante horas. Rasguei tudo. Hoje, briguei com as palavras.

as luzes da cidade

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-São Paulo As luzes da cidade me encantam. No aparente silêncio da noite, elas vibram e movimentam o céu que mora nas minhas janelas. É domingo, o sono não demora a chegar e emolecer as forças. Os corpos vão descansar e as almas vão vagar pelo mundo em busca de sonhos. Noites como essa, o sensível grito do vento é sentido pelo meus sentidos sensíveis. Noites como essa, quase sempre, estou sozinha. Não há nenhuma voz me questionando o motivo dos meus olhos perdidos no horizonte iluminado do céu. Não há nenhum olhar me intimidando as mãos por tentaram segurar com as unhas o ousado ar que circula meu corpo. As luzes da cidade ardem com o sol do meio dia. As luzes da cidade iluminam os gritos secretos da madrugada. As luzes da cidade são testemunhas das ruas. As luzes da cidade estão perdendo o brilho. As luzes da cidade se apagaram. Amanheceu e tudo está aparentemente normal. Realmente, as luzes da cidade me encantam.

ego, ego, ego meu.

Li muito essa semana. De outdoor à livros de sociologia e poesia. Observei as pessoas andando na rua e notei que quase sempre as mãos seguram alguma coisa. Andei na chuva sem pressa, só ficar toda molhada. Chuva não dói, prometo. Senti a quentura do sol na cabeça e desejei desesperadamente um gole d'água. Chorei assistindo a um filme - Escritores da Liberdade , com a Hlillary Swank. Escrevi, de madrugada, duas cartas com caneta azul. Tive sonhos de que tão reais, não se esvairaram do meu pensamento. Comecei muitos textos, mas os apaguei em seguida. Vi a saudade chegar de alguéns que estão a léguas de distâcia de mim. Dormi, tanto que acordei com os olhos inchados. Não vi a programação dos eventos da cidade. Ensaiei todos os dias e vi o cansaço se instalar nos meus músculos. Li Drummond e depois Milton Dias, deitada na rede e vendo as nuvens passarem na minha janela. Alimentei de esperança um de meus maiores desejos. Fiz uma prova de filosofia com um rapaz da minha sala, com o qual ...

ésignificante

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-Posso te fazer uma pergunta? -Já está perguntando... -Mas é outra, posso? -Mais uma? O que quer saber? -Me fala de ti? -Você me conhece há tanto tempo. -O tempo envelhece as pessoas, para que elas se descubram. Ele não conhece ninguém, eé muita gente...Fale sobre você, qualquer coisa sobre você. -Conheci um cachorro na praia, desenhei um cachorro e já criei um cachorro imaginário e todos se chamam Joaquim. Não gosto de ter unhas grandes porque me arranho. Queria só usar pijama, mas sabe como é, né? Quando lembro, bebo água natural para garantir a saúde da voz. Adoro quando arroz é a coisa principal do prato. Gosto muito de arroz para ele ser apenas acompanhante. Tenho vontade de fazer desenhos nas paredes da minha casa, mas isso iria "estragar" a pintura lá tex anti-sujo. Não uso relógio no braço direito para não sujá-lo na hora de apoiar o braço na cadeira pra escrever. Já consegui voltar para um sonho. E já sonhei com um leão querendo me pegar e uma baleia que nadava na ...

Revelar

Estou cansada dos mesmos verbos todos os dias. Andar na rua; correr para pegar o ônibus ; falar ao telefone; beijar uma boca; abraçar alguém; chorar de tristeza; gritar de raiva; beber água gelada; comer um sanduíche; olhar nos olhos; segurar a bolsa; digitar um texto; escrever um depoimento; ligar para o namorado; bater na porta... Cadê os outros? Há quanto tempo não escuto o verbo desenhar? E o combinar no sentido de juntar as coisas e ver no que dá? Estão no dicionário, eu sei. E você os conhece, isso eu também sei. A rotina é monótona porque é feito sempre as mesmas coisas. Há décadas, a pressa comanda o sono, a comida e as relações das pessoas.E é essa pressa que não permite excessões . Concordo com o absolutismo do relógio. Sinto suas ordens mais severas quando acordo dez minutos após o despertador ter tocado! Malditos dez minutos me faz encarar uma corrida sem velocidade, chamada trânsito. Mas até na pressa é possível não ficar destrambelhada! Basta priorizar algumas coisas e p...
Acordo e a cortina está aberta. Uma claridade morna encontra minha cama e diz: acorda, menina, o mundo já acordou a tempos! Sento na cama, olho para janela e vejo um sol disposto brilhando, passarinhos dispostos voando, palmeiras dispostas balançando e eu, não disposta tomando consciência da minha ressurreição diária. Isso era para ter um significado lindo - o fato de eu ter acordado viva!-, mas acordo tão desorientada que nem penso nisso. Sento na cama, esfrego os olhos, passo a mão no cabelo e percebo que ainda está molhado do banho da madrugada. Devia ter faculdade a domicílio, lanche-comprimido e três mordonos a minha total disposição. Pobre coitada iludida. Bem, é isso que passa na minha cabeça quando acordo na segunda feira, na terça feira, na quarta feira... Meu pijama parece grudado na minha pele de um forma agradavelmente aconchegante . De súbito, um grito: Isabelle , acorda, então você vai em ficar em casa! Delicadeza de mãe é uma coisa bela. Arranco o lençol de mim com força...

chatice mental

Esse blog anda muito fofo, ultimamente. É gentileza, amor, atenção com o próximo, descrições de momentos agradáveis. Mas tem hora que toda essa aura de sentimento encantado some e aparece as sensações do contra. Não chega a ser ódio do mundo, mas a capa que faz as coisas serem vistas pelo lado do bom foi levada pelo Harry Potter e a constituição das leis de Murphy resurge! Bem, elas nunca somem, mas, quando se está sensivelmente de bem com os hormônios do bom humor, as leis do vai dar tudo errado são consideradas uma etapa a ser vencida. Etapa essa que, antes de ser vencida, acaba com todo o lote de paciência existente! É madrugada, tenho prova amanhã e todos dormem. Não ter ninguém para jogar conversa fora quando se precisa faz com o que um pobre Chapéu aguente a chatice introspectiva que me domina. E, o pior, ainda faço o favor de compartilha-lá com quem tem a boa vontade de aparecer por aqui. Domingo é um dia insuportavelmente monótono porque o fazem assim! Domingo tem as mesmas hor...

coisas intrigantes no céu e do céu.

Quando era criança, não achava que as nuvens eram feitas de algodão. Eu gostava das nuvens , mas não passava pela minha cabeça que elas eram feitas de algodão. Até parece, mas nuvem é nuvem; algodão é algodão. Nuvem não nasce em árvore e algodão não cai do céu. Usando a minha aula de filosofia : essa comparação é utilizada para tentar explicar algo aparentemente inexplicável . Se foi, eu não sei; não sabia nem que existia filosofia quando era pequena. E, também, não estou chamando meus pais, meus avós, meus tios e os professores do colégio de mentirosos. Eles não estavam fazendo isso por mal, apenas estavam tentando diminuir nossa lista de dúvidas. O céu me era mais intrigante do que as nuvens. Não me diziam de que era feito o céu, me informavam e eu via de que cor era o céu. Me questionava porque o céu era tão azul. No final da tarde, ele tem uma pinceladas amarelas, vermelhas, roxas, mas, mesmo assim, continua muito azul. Azul claro durante o dia, azul escuro durante a noite e azul a...

voltando para o mesmo lugar

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Não me importa qual dia da semana era. Devia ser um sábado, ou uma segunda; não me lembro; era férias. Chovia fraco atrás da janela e um vento frio invadia o quarto e me envolvia, aumentando aquele sono preguiçoso que te gruda na cama de um jeito incomparavelmente confortável. O sono já tinha ido embora; restava aquela falta de coragem de encostar os pés no chão e caminhar sem rumo pela casa. Não tinha nada marcado naquele dia; nenhuma obrigação a cumprir; nenhuma visita a receber; nenhuma regra a seguir. Estava sozinha, num dia de chuva, com preguiça, em casa. Me sentei na ponta da cama, com o lençol enrolado no pescoço; deixei a cabeça cair para trás e senti os músculos se esticando, os ossos indo para o lugar, após muitas horas deitada. Nenhuma dor incomodava minha preguiça. Me levantei, fui até a porta do banheiro e desisti de entrar lá. Não é lei escovar os dentes assim que acorda; nem sabia, ao menos, se estava mesmo acordada. Rastejei até a sala, peguei incoscientemente o contro...
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Domingo. Nenhum compromisso marcado. Sem aula, sem ensaio. Um dia neutro, que tomaria o jeito que eu quisesse. Ou não tomaria jeito nenhum, caso eu quisesse continuar dormindo. A único lugar que eu iria, sem pestanejar, reclamar ou inventar alguma desculpa, era para a casa de meus avós. Como a casa da vó faz falta. Chegar, passar a mão na careca do meu avô, dá um beijo da minha vó, receber abreços seguidos de puxões de cabelos das minhas primas, tirar o tênis, jogar a mochila em algum quarto, ir a cozinha sentar no chão e comer alguma coisa, deitar e dormir de farda o dia inteiro. Devido minha rotina louca, dias assim não estão sendo comuns. Ao invés disso, chego no colégio, durmo na mesa da biblioteca, ou no final de alguma aula atraente ou não, passo o dia de tênis, enfrento fila pra comer, escovo os dentes com não sei quantas meninas olhando e fazendo a mesma coisa. Enfim, dias como esses serão bons quando eu não os tiver mais, e narrar, dando grandes risadas para algum amigo ou ent...
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Passei um tempo sem transformar meus pensamentos e acasos de minha vida em palavras. No começo, não posso negar, que uma vontade grande de falar sobre o meu dia tomava conta dos meus dedos. Não durou muito. A vontade foi logo substituída quando me vi cheia de coisas para fazer. Ao final de cada dia, como era de costume, não tinha a mínima vontade de organizar meus pensamentos e relatá-los aqui ou em qualquer pedaço de papel. E assim, abria o torto e o fechava logo em seguida sem o remorso de não ter colocado nem um sincero oi. Passada as justificativas... Mais uma vez, fui bater no hospital com a farda do colégio. Felizmente, ou não, por motivos bem diferentes. A primeira foi devido um dor misteriosa que apareceu na hora da aula e resultou em uma ida até a emergência mais próxima. Banhado por um desesperado choro, o caminho, que em dias sem compromisso ou urgências parece simplesmente curto, pareceu ter alongado alguns muitos quilômetros. Após a complicada burocracia, consegui me deita...