voltando para o mesmo lugar

Não me importa qual dia da semana era. Devia ser um sábado, ou uma segunda; não me lembro; era férias. Chovia fraco atrás da janela e um vento frio invadia o quarto e me envolvia, aumentando aquele sono preguiçoso que te gruda na cama de um jeito incomparavelmente confortável. O sono já tinha ido embora; restava aquela falta de coragem de encostar os pés no chão e caminhar sem rumo pela casa. Não tinha nada marcado naquele dia; nenhuma obrigação a cumprir; nenhuma visita a receber; nenhuma regra a seguir. Estava sozinha, num dia de chuva, com preguiça, em casa. Me sentei na ponta da cama, com o lençol enrolado no pescoço; deixei a cabeça cair para trás e senti os músculos se esticando, os ossos indo para o lugar, após muitas horas deitada. Nenhuma dor incomodava minha preguiça. Me levantei, fui até a porta do banheiro e desisti de entrar lá. Não é lei escovar os dentes assim que acorda; nem sabia, ao menos, se estava mesmo acordada. Rastejei até a sala, peguei incoscientemente o controle da tv e me joguei no sofá. Não sei se era sonho ou se era uma vontade incontrolável de ter alguém comigo ali mexendo nos meus cabelos sem pressa e sem dizer, a cada minuto que passava, que tinha que ir embora. Não tinha ninguém comigo ali. Ninguém apertaria a campanhia aquela hora apenas para me fazer companhia. Eu estava sozinha, com preguiça, numa manhã chuvosa e me arrepiando a cada vento que conseguia entrar pelos espaços do lençol. Liguei a tv e a voz do Mickey invadiu meus ouvidos. Há quanto tempo não parava para assistir aqueles desenhos animados repetidos desde a minha infância. Mas isso não me importava; apenas queria que alguma voz percorresse as paredes daquela casa e me fizesse alguma companhia. Fui até a cozinha e pensei em fazer café; só pensei, daria muito trabalho - esquentar água, depois esperar esfriar um pouco para não queimar a boca. Um copo de leite gelado com chocolate numa manhã gelada. Imaginei alguém falando perto de mim: não se preocupe, vá se deitar, farei algo para você comer. Isso já era delírio. Meu lugar era lá, na minha cama, maturando o meu sono fingido. E foi isso que eu fiz. Desisti do leite e voltei para o lugar do qual não deveria ter saído. Fui até a janela e notei que o sol decidiu acordar, transformando as poças de água ou de lama em superfícies refletoras. Fechei a cortina e impedi que a luz viesse acabar com aquele lugar gelado que era meu quarto. Me deitei e não me recordo mais de nada.
Comentários
bjxxx!
Ótimo dia pra vc.
Bjinhos.
Tá perfeito.São minhas únicas descrições à altura.
Beijo
adorei o texto!
bjs!
adorei a descrição da preguiça...foi perfeito...=)
beijinhos
Descreveu mto bem, parabens.
ahuahuhuahuahua
prefiro dormir pra esquecer da barriga!
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK :X
Beijos! :D
Besos