muro do fim do mundo
Dulce tirou seu corpo ainda lento de sono e foi ver o sol. Não, Dulce sempre preferiu um contato mais íntimo. O sol é tão tímido que usa o que tem de mais vistoso para impedir que curiosos o encarem de frente. Dulce não queria ter seus olhos de curiosa queimados pela fúria de um estrela em chamas. Dulce preferia andar sobre o sol, encostar nas paredes onde o sol fazia suas sombras, sentir o sol deixar sua cabeça quente. Descalça, sentiu a quentura dos grãos de areia do terreno fazer cócegas nos seus pés. Foi andando, chutando pedrinhas e pulando sobre formigueiros, que mais pareciam buracos cheios de vírgulas. O fim do quintal era para Dulce como o fim do mundo. Nos dias que aparentemente não aconteciam nada, Dulce se aventurava pelo quintal até o fim do mundo. O chão quente a fazia ficar levantando os pés num ritmo que só aumentava. Dulce corria, atravessava os gigantes obstáculos de tijolos que seu pai construía. Na verdade, não eram obstáculos, eram apenas tijolos amontoados. Mas,...