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Mostrando postagens de Junho, 2011

até o dia

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Não preciso de um espelho pra saber que há algo errado, mas preciso de um pra saber o quanto há de errado nisso. Me inquieta, me tira do sério e me faz pensar incontáveis maneiras de mudar tudo. Então, chega o dia que minha vontade de ficar feliz não tem forças nem jeito de acontecer. Sem jeito. É isso. E aí, eu corto o cabelo. Cada pedaço de cabelo caído no chão é uma parte de mim que não quero mais. Se tudo se renova para surpreender, eu preciso me renovar para seguir em frente. Preciso de espaços livres, de caxias vazias e de folhas limpas. Preciso de um cabelo novo que me faça olhar no espelho pra achar forças perdidas, jeitos ousados e vontades novas. Até o dia que o cabelo cresce, as pontas duplas aparecem e o jeito ajeitado perde o jeito outra vez. Me inquieta, me tira do sério e me faz pensar incontáveis maneiras de mudar tudo. E aí, eu corto o cabelo.

ela

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Ela não concordou Ela se atrasou Ela não sei importou
O dia passou A ausência se findou E ninguém chorou
Ela fugiu O mundo girou Ele se perguntou E ninguém a achou
Ela riu Ela saiu Ela voltou
O dia passou A noite chegou E ela se apressou
E uma vida de fez Um vazio se desfez E um amor se refez

disfarces

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Coloco a minha fantasia e apareço na janela. Num disfarce, a gente destrava o botão da vergonha e esquece. Os olhares alheios se desviam e me fazem deixar pra depois o que tem de ser feito. A vida fica arrumando desvios, caminhos improvisados, rotas alternativas para nos desafogar desse trânsito de confusões que a gente insiste em manter. Mesmo quando tudo insiste em sair dos trilhos, há sempre um jeito de apertar o freio, dar um banho de óleo e continuar. Riso escondido, suor escorrendo atrás da máscara e uma imagem tão ridícula quanto engraçada no espelho. Riso solto, fim de festa e eu me fazendo presente, sem disfarces e sem reflexos, aos olhos de quem quiser ver.

esperando por mim

Estava no caminho de casa, melhor, já estava na frente de casa, quando decidiu continuar. Foi devagar, já vendo o sinal ficar vermelho e as pessoas dando corridinhas por conseguirem atravessar alguns metros de rua. Parou o carro, só não parou de pensar para onde iria. Até voltar para casa seria uma forma de ir para algum lugar. O sinal abriu e decidiu continuar. Nenhum objetivo a levava para frente, nenhum sentido a guiava e ninguém ansiava a sua chegava. Apenas a vontade de continuar, de seguir, de ir. Pra onde? Não sabia. Não tinha nada marcado para as horas seguintes, não havia ninguém a esperando, só sua mãe que pediu pra ligar quando chegasse em casa. Não era tristeza, nem solidão. Não era alegria, nem festa. Era paz e cuidado. Era hora de dar colo para o próprio coração. Colocá-lo nos braços e dizer que não há problema algum. Que o dia vai continuar e ele vai ficar melhor. Era olhar pra baixo, para o  próprio corpo e dizer: estava esperando por mim.
Lembrou que havia uma sorvet…