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Mostrando postagens de Julho, 2009

"Atirou-as para o Mundo."

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Hoje, foi um bom dia. Não tive dor de cabeça - não que eu tenha dor de cabeça sempre, mas dor de cabeça é algo irritante e que azucrina muito minha vida quando aparece -, lavei o cabelo ontem, logo não precisei lavá-lo hoje - tenho infinita preguiça de lavar o cabelo - e ganhei cinco livros do Zé Assis - José Maria Machado de Assis, a intimidade me levou ao apelido. .
Deixe-me contar a história dos livros.
Cheguei na casa de meus avós e encontrei meu avô sentado, encostado numa coluna e olhando pra tv que fica quase no teto. Falei meu velho e alto "E aí, vovô! Bate aqui!" e ele me respondeu um preguiçoso e arrastado "ooi". Fui caminhando casa adentro, passando pelos corredores na penumbra e uma montanha de sandálias na entrada, na verdade, seguindo os gritos e risadas familiares. Disse um "oi" geral, abraçei minha avó e disse "se aquieta, mulher" pra minha prima que não cansa. Coloquei minha bolsa na mesa, fiquei descalça e fui chamada pela minha…

conversa de nada com coisa nenhuma.

-Qual seu nome?
-Meu nome é Beatriz.
-Ai, para quê tudo isso. Bastava ter dito: Beatriz
-Ora, você usou um pronome possessivo na 3ª pessoa - seu - e eu lhe respondi usando um pronome possessivo na 1ª pessoa.- meu. A resposta está completa.
-Eu sei, mas é preciso ser objetiva. Do jeito que está, querida, temos que economizar até palavras. E não venha dar uma de adolescente gramaticalmente correta.
-Não disse nada demais!
-Não disse nada demais? Disse três palavras a mais! Se tivesse dito apenas Beatriz, eu já saberia que era o seu nome. Sua resposta foi um grande pleonasmo! Que nem Fernando Pessoa nos versos: "Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal". Viu? Um grande pleonasmo! O mar sempre foi salgado! Se o mar não fosse salgado, seria uma garapa de água com açúcar e seria o pseudo-calmante mundial!
-Como é, criatura?! Posso até ser uma adolescente metida a espertinha da gramática, mas você é um louco psicótico, incomodado e miserável!
-Tudo bem, vamos fazernovament…

a volta, perdoe-me

CHAPÉU EU NAO TE ESQUECI!
GUARDEI MUITAS PALAVRAS PARA VOCÊ DURANTE O MEU SUMIÇO!

Perdoe-me, chapeleiros
Perdi a hora no chá


=*

visões difusas

Andando no escuro
Tento ir, mas sem rir
Andando no escuro
Tento calar, mas sem amar
Andando no escuro
Tento voltar
Mas não dá

Andando no claro
Eu vou e rio
Andando no claro
Eu grito e amo
Andando no claro
Eu não quero
Mas acabo voltando

Então,
Ando no claro
Com os olhos fechados
E engano a verdade
Ilusões difusas agora
São as melhores opções.

lares de minha vida

Já tive várias casas, mas só uma rua. Dos seis lugares que mais vivi, (incluindo os de agora), lembro-me de cinco. Só não me recordo, afinal era bebê, do apartamento que morei quando era muito bebê. O que eu sei desse primeiro lar são as coisas que meus pais contam. Sei da sorte e do velho adivinha que preveu certo o número do apartamento. Sei também do telefone dado de presente, na época, objeto que era parcelado em três vidas, com entradas e com juros. Sei dos banhos de sol lá embaixo, das vizinhas que dividiam almoço. Sei como foi o começo da vida de casados dos meus pais. Não sei como se chega lá, mas sei o bairro. Não sei como era o apartamento, mas montei uma imagem na cabeça que vai durar enquanto eu durar. Não sei de muita coisa. Mas as poucas fotos, a boa memória de minha mãe e as prosas de pai, compromissadas apenas com as lembranças da vida, fazem com que meu primeiro lar seja vivo em mim. Quando me mudei pela primeira vez, tinha, de acordo com as contas feitas agora, aproxi…

domingo, mingo, go.

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Domingo e a preguiça. A preguiça de domingo. A cara do domingo. O sono de domingo. A vontade de fazer nada no domingo. Domingo, quando acordas? O relógio lento de domingo. Domingo, acelera! Domingo vai parando. Domingo tem cara de parado. Domingo lembra da segunda. Domingo não corre. Domingo dorme. Segunda não pode chegar com insônia. Os encontros de domingo. Os namoros de domingo. O almoço em família aos domingos. Acordar tarde aos domingos. Praia dos domingos. Domingo de praia. Domingo de nada. Nada no domingo. Domingo. mingo. go. vá agora. se mexe, criatura!

aniversário!

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Hoje, o Chapéu completa um ano.
Antes, era só para ocupar o tempo, agora já faz parte do meu tempo. Nunca fui de usar chapéu, tenho alguns na gaveta, guardados há anos e com cheiro de mofo. Mas sempre achei incrível os costumes dos tempos passados. As mulheres com aqueles chapéus enormes, com plumas, laços e fitas e, principalmente, os homens com suas cartolas.
Cartolas têm almas mágicas e tortas.
O Chapéu Torto é na sua essência uma cartola. Uma cartola comprida, com abas grandes, muito grandes, que eclipsam os olhos. Uma cartola azul borrada com o marrom envelhecido do tempo.
Os mágicos fazem uso das palavras para colocar no mundo suas magias. "Abracadabra, do olho da cabra..." As bruxas de narizes pontudos fazem uso das palavras para assustar as pessoas com os ingredientes nojentos, fúnebres e apavorantes de suas poções. "Perna de morcego, língua de sapo, sangue de dragão, orelha de jacaré..."
As palavras são os outros mundos. Elas são capazes de trazer alegria ou fe…