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faz parte

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Tristeza faz parte. Tristeza faz arte. E faz. Chega ao ponto de ser algo natural.  Tristeza chega e com ela vem o choro, fácil. Lágrimas que doem se não forem expostas. Lágrimas que desconfiguram um rosto se não escorrerem feito rio. Rios nunca são os mesmos. E passam e levam e arrastam. Olhos chororos nunca são os mesmos. E ardem e expulsam e aproximam. Das coisas que não permanecem que fiquem ao menos uma saudade nostálgica que não quer ter volta. E voltam. Um novo rio. Incessante. Uma vida escorrendo, não tem jeito. Tristeza faz arte. Quando não mais encontra espaço, a face vermelha arde e pesa e o sentimento ganha voz. Voz baixa, forte, devastadora. Tristeza não filtra. Tristeza expulsa e põe pra fora. Tristeza não fica a refletir e sim a se livrar. E daí, amor sofrido vira poesia. Ausências viram crônicas. Saudade vira fotografia. E assim, a vida escorre e passa e leva e limpa. Mas que assim não se seja por toda hora. Alegria também faz pa...

no meu querer de agora

Se os meus 'eus' não estão gostando de mim As roupas mudarão Os cabelos mudarão As comidas mudarão As músicas, os filmes, os livros mudarão Mas os meus 'eus' não mudarão Ficarão apenas gostando Gostando apenas de mim Se meu lado sizudo amolecer Se meu olhar 'descegar' do provavél que vê Se minha fala se abrir pros ouvidos do mundo Se meu olfato se livrar do imundo Se meu coração perder o ritmo Se o descompasso descontínuo me atingir  Se eu fechar os olhos e me permitir Eu mudarei O eu de agora O eu de hoje O eu de amanhã O eu do nada Nada. -isabellecristhinne

talvez

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Talvez eu seja grande e me cause muito problema. Talvez eu não saiba mais me cuidar. Talvez nem caiba mais em mim. É isso? Um pouco mais de deus, de mar e de sorte. Um pouco mais de força. Um par de braços pra me aconchegar. Talvez, valha a pena. Talvez, resolva.

ela

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Ela não concordou Ela se atrasou Ela não sei importou O dia passou A ausência se findou E ninguém chorou Ela fugiu O mundo girou Ele se perguntou E ninguém a achou Ela riu Ela saiu Ela voltou O dia passou A noite chegou E ela se apressou E uma vida de fez Um vazio se desfez E um amor se refez

flores

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Toda mulher é uma flor Que florece Murcha Se dispersa pelo mundo Morre E volta a ser flor. Oh, céus, por que caules tão frágeis? Por que pétalas tão vulneráveis? Uma brisa as levam, uma mão mais forte as arracam. Flores de amor são dadas Flores de beleza são invejadas Flores, apenas flores enfeitam os cabelos Flores nas roupas, nas mãos e na alma Flores cheias de abelhas Flores dentro de um pote d´água dão a sala uma vida ilusória Ah, flores Que Deus permita as mulheres usar as suas loucuras Falar, se excitar, se amar, desamar Por isso, não dê qualquer flor a uma mulher. Escolha, desescolha Flores são as irmãs ocultas da mulher Flores são a felicidade contida da mulher Flores são as mulheres.

09/12/2008

vou deixar meu coração gritar vou abrir a prisão da minha aparência e vou falar tudo deixar estampado pra quem quiser passar o que não mais se prende o que não mais encontra lugar para se guardar. será tudo dito e aos poucos, vou virando um nada sendo um nada então, recomeço 09/12/2008 na época, a folha era branca, a poesia falava. hoje, a folha é amarela o caderno é velho são outros tempos e a poesia continua falando.

o fim de alguns minutos

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Faltava alguns minuto O relógio e uns barulhos lá fora me confirmavam Senti-me aflita por algo desconhecido Algo estava para acabar e outra para começar Era apenas um dia Todos os dias, um dia acaba e outro começa Qual o motivo de tanta aflição? Começou Fogos coloridos bombardeavam meu coração Muitas cores, muitos tamanhos, muito brilho Uns iam alto, sumiam na profundidade escura do céu Uns só saltitavam, alegrando quem os via Beijos foram dados aos sons de explosões Braços se entrelaçaram na intimidade e na multidão Olhares se trocaram iluminados por luzes que imitavam as estrelas As estrelas? As estrelas tinham sumido naqueles minutos O sumiço das estrelas não me deixava aflita Algo se abria em mim aos poucos Abrindo espaço em um alma cheia de sentimentos Sentimentos amarrados, presos, contidos estavam me tomando inteira Gritar, mas quem me ouviria? Era muita festa, muitos fogos e muitos desejos Lágrimas acharam um caminho no meio de olhos cheios de luzes Lágrimas desceram num choro ...
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Borboletas voam por aqui e aqui eu tento voar meu vizinhos de alma me visitam no pensamento. borboletas tentam pousar em alguma flor eu tenho uma flor eu sou uma flor mas eu não gosto de borboletas e e não sei voar Borboletas não estão aqui por dentro Não as sinto Ponho a mão na barriga e só sinto minha respiração Indo e vindo Indo Seguro o ar lá dentro Que nem um amor proibido um coração bandido e um beijo perdido. Prender o ar mata? Não sei, o ar pediu pra sair E eu deixei. Podem ir, borboletas .
ela foi embora. foi embora de mim. está pelo mundo em lugares que eu desconheço. falando o que não posso escutar. amando outras vidas andando para longe. longe. longe. cadê? ela foi embora e me deixou sem uma última palavra. apenas com um tchau apressado e triste. ela ficou triste quando disse o último tchau da noite. eu senti mas nada fiz. deixei o telefone desligar deixei o tempo passar deixei-a ela me deixou. foi embora de mim. o ela sou eu eu fiz isso

Tomar todas, até jeito

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É hoje que eu tomo jeito Vou por uma figa no braço Um pé de coelho na bolsa Semente de uva na carteira Trevo no cabelo Tudo isso antes de ir Mas hoje, hoje eu tomo jeito Vou pra rua Perguntar como se chega na lua Vou ver almas nuas E pessoas cruas Vou ser tua Basta comigo ir Hoje, decidi que hoje eu tomo jeito Tomar todas Vou sair de si Vou tomar amores Tomar tristezas Tomar alegrias E depois vou jogar tudo fora Como um filtro na garganta da alma E vai ficar apenas o que me possuir por inteira Para isso é só ir Ir comigo Ir além Ir, rir, partir, sair Só não leve o meu jeito Amanhã, quem sabe Vou tomar jeito mais uma vez Amanhã, é amanha que eu tomo jeito. Acordar no feriado, com a preguiça grudada no pijama A casa no silêncio e a vontade de sair correndo pelo mundo. Mas, ao invés disso, fico quieta assistindo um filme, maturando palavras e comendo os chocolates que estão no potinho de vidro colorido da cozinha. beijo torto com cheiro de eucalipto
Tenho que fazer algo com você Não sei mais onde colocar tantas lembranças suas Me pego pensando no que você pode estar fazendo agora Se o seu trabalho está indo bem Se você está bem Eu sei das suas alergias Notava que seu nariz estava mal pelo telefone E você só dizia Sempre é assim Está vendo? Não tenho mais que me preocupar com você Mesmo assim continuo a te espalhar pelo meu corpo, minha mente Só você, você O tempo passa, o dia passa, as pessoas passam E você insiste em ficar Já te mandei embora Ja gritei alto que não te queria mais Você fez sua parte Foi embora e nem olhou para trás Me deixou Eu que não te deixei Já assassinei a minha esperança Ela foi a primeira a morrer A tiros de persitência, a facas de teimosia e gritos sufocados de saudade Não teve jeito Ela me assombra nos sonhos Que nem você.

Ainda vejo

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Acordo e ainda vejo o sono em mim Ando pela casa e ainda vejo o rastro de preguiça pelo corredor Visto uma roupa e ainda vejo O pijama sobre a cama Calço o tênis e ainda vejo O chão gelado do quarto Fecho a porta e ainda vejo A vontade de ficar Vou pra rua e ainda vejo ... Ainda não vejo nada O sol me ofusca os olhos

É dançando.

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Se eu vou chegar lá De alguma forma Então que seja dançando Se algum tom de azul vai me iluminar Que não seja o do céu Que não seja o do mar Que seja a luz do palco de algum palco a brilhar

visões difusas

Andando no escuro Tento ir, mas sem rir Andando no escuro Tento calar, mas sem amar Andando no escuro Tento voltar Mas não dá Andando no claro Eu vou e rio Andando no claro Eu grito e amo Andando no claro Eu não quero Mas acabo voltando Então, Ando no claro Com os olhos fechados E engano a verdade Ilusões difusas agora São as melhores opções.

domingo, mingo, go.

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Domingo e a preguiça. A preguiça de domingo. A cara do domingo. O sono de domingo. A vontade de fazer nada no domingo. Domingo, quando acordas? O relógio lento de domingo. Domingo, acelera! Domingo vai parando. Domingo tem cara de parado. Domingo lembra da segunda. Domingo não corre. Domingo dorme. Segunda não pode chegar com insônia. Os encontros de domingo. Os namoros de domingo. O almoço em família aos domingos. Acordar tarde aos domingos. Praia dos domingos. Domingo de praia. Domingo de nada. Nada no domingo. Domingo. mingo. go. vá agora. se mexe, criatura!

Tua voz

Quando eu estiver sem vontade de falar Até a tua voz Tua voz Irá me irritar Então, não me irrites Se afaste e continue bem É, não se afete com minhas besteiras Deixe sentir-me sozinha Deixe eu ficar com vontade de te contar sobre mim Quando eu começar a falar Somente a tua voz Tua voz Irá me acalmar Então, não me irrites Se aproxime e me deixe bem Por favor

da porta

Eu queria me encostar na porta e te dizer boa noite. Te olhar de longe, a deitar sobre teus lençóis velhos. Observar o teu travesseiro fino para não doer o pescoço e o outro entre as pernas. Mania velha. Não precisava me aproximar tanto de ti. Seria muita audácia minha. Da porta, eu te desejaria boa noite. Te desejaria bons sonhos. Te desejaria um sono leve. Encarar os teus olhos pedintes. Pedintes de coisas que eu acho que sei. Apenas, acho. Por isso, ficaria a te fitar encostada na porta com meu lençol envolta do pescoço. Antes, meus 'boa noite' eram gritados. Ditos lá de longe. Hoje, eu quis dizer baixinho. Baixinho para não perturbar o teu sono. Baixinho como um sussurro de sonho inacabado. Da porta, iria ver você se enrolando entre panos. Desligaria a tv e no escuro ainda ia continuar a te olhar. Me aproximaria da cama. Você nada via, já tinha os olhos fechados e cobertos. Me aproximaria mais. E puxaria o lençol para baixo. Só um pouquinho, quase nada. Seus pés estavam d...

no meu querer de hoje, o último versinho bobo

Se meu lado sizudo amolecer Se meu olhar 'descegar' do provavél que vê Se minha fala se abrir pros ouvidos do mundo Se meu olfato se livrar do imundo Se meu coração perder o ritmo Se o descompasso descontínuo me atingir Se eu fechar os olhos e me permitir Eu mudarei O eu de agora O eu de hoje O eu de amanhã O eu do nada Nada Não existe ninguém aqui

versinhos bobos quatro

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Rodrigo Zoom Por que eu só posso ser alguma coisa depois de crescer? O que você vai ser quando crescer? Eu quero ser agora E quando crescer? Você vai crescer um dia Uma pessoa crescida Uma crianças de canelas grandes Um criança de barba e bigode Uma criança com bolsa de mulher Uma criança com carteira de motorista Isso é crescer Ora Não, isso é ficar um pouquinho m a i o r E agora o que quer ser? Arquiteta Bailarina Ilusionista Ilusionista? Ah! Te enganei direitinho! O que você vai ser... Antes de crescer? (é, isso mesmo, aperte no link se quiser assitir) Espetáculo infantil com a Cia. Picnic de Teatro. Na infância todos ouvimos: O que você quer ser quando crescer? Mas o menino Vinicius se recusa a responder a essa questão e...

versinhos bobos três

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E no meio da feira eu tenho muitas 'gentes' dentro de mim gente que sente fome gente que compra verdura gente que rouba uva gente que anda gente que bate uma foto gente que sente que se sente bem que sente a multidão a feira a vida e vai embora sem nenhuma sacola