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Mostrando postagens de Março, 2013

irrelevância

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Assumindo e escrevendo pra ter uma prova de tal confissão. Como uma vitrine, que expõe só uma parte, um promoção, uma novidade entre tanta coisa que tem lá dentro. Não leio jornais todos os dias, não assisto noticiários com tanta atenção e soube ontem quantos quilômetros meu carro faz com um litro de gasolina. Informação útil, item essencial na vida de um informado qualquer. Falo rápido, ando rápido, esqueço rápido, volto pra casa de manhã depois de uma noite em pé num salto e digo que ainda aguento mais. Tudo vitrine.  A voz gruda na garganta sempre, toda vez, que falo um eu te amo em alto som. Gruda, sai devagar, rastejando até eu me ouvir falando. Infinitas vezes, ando contando os passos, colocando um pé na frente do outro, transferindo o peso de um pé para o outro, como se a vida fosse só isso, andar sem pressa. Lembro do tom de voz dos amigos, de um abraço que me doeu as costelas, da sensação que é sentir os pelos se arrepiando quando se ganha um cafuné demorado. Irrelevâncias.…

e não maldisse a vida

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“Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar. Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar, e não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar, e nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar. E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar, com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar. Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar, e cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar. E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou, e foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou. E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais, que o mundo compreendeu, e o dia amanheceu em paz.” —Chico Buarque
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"Tem tédio do mundo - o que acho totalmente justificável, submersos nessa chatice crônica dos dias e das pessoas vazias - e demora pra achar ao menos uma amiga de verdade, um amigo gay que valha a pena, dê conselhos ponderados da cabeça masculina que deseja também homens, e mais: um cara decente que mereça nos ver caidinha de amor." Camila Paier