Passei um tempo sem transformar meus pensamentos e acasos de minha vida em palavras. No começo, não posso negar, que uma vontade grande de falar sobre o meu dia tomava conta dos meus dedos. Não durou muito. A vontade foi logo substituída quando me vi cheia de coisas para fazer. Ao final de cada dia, como era de costume, não tinha a mínima vontade de organizar meus pensamentos e relatá-los aqui ou em qualquer pedaço de papel. E assim, abria o torto e o fechava logo em seguida sem o remorso de não ter colocado nem um sincero oi.


Passada as justificativas...


Mais uma vez, fui bater no hospital com a farda do colégio. Felizmente, ou não, por motivos bem diferentes. A primeira foi devido um dor misteriosa que apareceu na hora da aula e resultou em uma ida até a emergência mais próxima. Banhado por um desesperado choro, o caminho, que em dias sem compromisso ou urgências parece simplesmente curto, pareceu ter alongado alguns muitos quilômetros. Após a complicada burocracia, consegui me deitar e logo fui bombardeada por perguntas do tipo, onde é a dor?, está doendo muito?, comeu algo estragado?.

Lógico que estava doendo muito! Então não estava lá, chorando de dor e sonhando com algum remédio de ação imediata. Logo, uma enfermeira chegou e furou minha veia com uma agulha significantemente grande. Senti um nervoso, mas a dor da agulha era mínima ao ser comparada com a que me pertubava ativamente. O soro com buscopan com rapidez entrou no meu corpo e a dor foi passando como se alguém a tivesse tirado com a própria mão. Passada a dor, o hospital tornou-se um lugar até bem confortável. Agradeço aqui pela hospitalidade e pela simpatia das enfermeiras. Espero não precisar voltar...


A segunda vez aconteceu quarta-feira. Após torcer o pé, fui bater na emergência novamente. Para caracterizar minha visita, estava com a farda do colégio. Passada a eterna burocracia da recepção, fui atendida por um monstro de jaleco. As lágrimas de meus olhos se seguravam e adiavam o quanto pudiam o meu choro. Comprovando a rapidez de uma emergência, o médico, assanhado e grosseiro, fez o que minha mãe poderia ter feito. A diferença é que me disse bruscamente que o ligamento do meu pé esquerdo tinha rompido e com isso teria que engessar até o joelho. Olhando bem para a sua cara, imaginei que a vontade dele era poder engessar até o meu pescoço e dizer você vai morrer se não engessar! Graças a racionalidade de minha mãe, tive condições de ser examinada por um médico amigo de minha família. Por ele, pude saber o que realmente tinha acontecido e mesmo não aprovando o fato de eu ter que dançar dois dias depois, me confortou com a sua sinceridade e me disse o que deveria ser feito para evitar maiores problemas.

Sexta-feira chegou. Os cuidados com meu pé vinham de todos os lados. Tinha medo de andar, porque sabia que após algumas horas teria que pular e representar nossa grande equipe. Agradeço a quem se preocupou, por quem me chamou de teimosa e mandou-me sentar imediatamente! A quem pegou o gelo na geladeira e trouxe água para tomar o antiflamatório. Agradeço, principalmente, a minha mãe que entendeu o quanto era importante aquela apresentação pra mim e disse um dos sim mais preocupantes e trêmulos de sua vida. No fim, guardei para mim grandes dores e mesmo com o pé num estado não normal, dançei, mesmo sabendo que sofreria riscos.

Apenas sou refém de um amor sincero e verdadeiro. Nosso terceirão é inesquecível.

Comentários

Avilla Filho disse…
Odeio hospitais, odeio tudo neles, os cheiros,as crianças chorando, os mais velho com um olhar sem esperança ou de dor, os médicos, seres que trocaram os sentimentos por livros de medicina, e até as enfermeiras.
De fato, a dedicação aos esportes leva a contusões, por vezes, severas, do jiu-jitsu tenho algumas cicatrizes e um joelho que as vezes fica podre, da musculação, o sofrimento, lesionar e fadigar musculos, até uma bipartipação no dorsal inferior e peitoral maior eu tive, tomar relaxantes musculares, GELO, e a alimentação que é torturante, não se pode beber, comer doce, comer fritura nem gordura em excesso(enfim, não se pode viver) mas quando se está no auge do esporte, quando todos o vêem e o admiram, é tudo, e vale a pena qualquer dor passada.
melhoras pro seu pé, senhorita torta.
H.Riedel disse…
o remedinho injetado é, realmente, milagroso. :]
Camilla disse…
A pior dor que eu senti foi quando eu tive pedra no rim. DÓI MUITO, mas tanto, que eu não desejo nem pros meus piores inimigos...

E foi assim, fiquei 1 dia inteiro tomando soro na veia. =/

Beijos
bozo. disse…
tudo pelo terceirão. =D
Jonathan Silva disse…
Elementar a calma da Bel!!!Imagine a cena no hospital quando o calmo e singelo médico falou: Minha doce criança serelepe,a senhorita terá que engessar sua linda perninha de bailarina até pertinho do joelho...

Bel falou...: É O QUE?!MÃIIIIINHêÊêÊ!!!!

vrum...chegando em casa,20 minutinhos de gelo(a cada 2 hrs muito importante salientar.)

E NA SEGUNDA-FEIRA...
Alguém liga,um ser fulaninho de tal...as 15 hrs...BEL TUDO BEM CTG?


RESPOSTA!

ESTOUU NO ENSAIO DEPOIS AGENTE SE FALA...TD ÓTI..M..O..É OQ?!
T
U
M
M(só o barulho do telefone!)
Ou seja, moral da história...







Não sei pergunta para ela,não deu tempo de perguntar na ligação, oxe!;P~





Adoro-te tortinha!
Milena disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Milena disse…
onde foi a 1ª dor? *eu nunca tomei injeçãozinha de passar dor :)

esse negocio do teu pé me deixou realmente preocupada.. eu ainda não sei como tu conseguiu dançar daquele jeito maravilhoso de sempre com o pé naquele estado!

e que amor grande hein.. se eu ja sou doidinha pelo meu 1ãozinho, fico imaginando como vocês são pelo 3ãozão! deve ser uma dorzôna lembrar que é o ultimo ano.. ;S

ahhhhhhhhhhhhh, tá melhor? ficou boa?! 100% saúde? ;P

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