chatice mental

Esse blog anda muito fofo, ultimamente. É gentileza, amor, atenção com o próximo, descrições de momentos agradáveis. Mas tem hora que toda essa aura de sentimento encantado some e aparece as sensações do contra. Não chega a ser ódio do mundo, mas a capa que faz as coisas serem vistas pelo lado do bom foi levada pelo Harry Potter e a constituição das leis de Murphy resurge! Bem, elas nunca somem, mas, quando se está sensivelmente de bem com os hormônios do bom humor, as leis do vai dar tudo errado são consideradas uma etapa a ser vencida. Etapa essa que, antes de ser vencida, acaba com todo o lote de paciência existente! É madrugada, tenho prova amanhã e todos dormem. Não ter ninguém para jogar conversa fora quando se precisa faz com o que um pobre Chapéu aguente a chatice introspectiva que me domina. E, o pior, ainda faço o favor de compartilha-lá com quem tem a boa vontade de aparecer por aqui. Domingo é um dia insuportavelmente monótono porque o fazem assim! Domingo tem as mesmas horas de segunda feira, o mesmo calor, só que com uma diferença: a existência de programas enfeitiçando a mente de quem os assiste com cachorros adestrados, migração emotiva para o Nordeste, mulheres robôticas, dançantes e sorridentes servindo de cenário e cobaia. Antes até chorava com os dramas da infidelidade, sentia medo das lendas urbanas, tentava gravar uma videocassetada e usava as horas do meu domingo deitando tudo isso. Tento não fazer isso. Se, nas condições mentais e crítcas que estou hoje, chorar junto com uma mulher que vai a público falar que não tem dinheiro pra criar os dez filhos é me assumir uma descontrolada emocional. Choro por muita coisa. Muita coisa não é tudo. O mal da língua é o poder de reclamar. Se tem muita coisa pra fazer, querem desesperadamente ir pra casa, tomar um banho e ficar deitado sem fazer nada. Isso é o que se pode fazer em um domingo. Se não gosta de novela almejam uma outra programação logo. Domingo não passa novela, mas a programação não é nova e os filmes incríveis que passam na tv aberta já foram assistidos a quantidade necessária de vezes para decorar uma parte inútil e sem graça do filme. Obrigo os meu dedos a pararem de obedecer o que o meu amargo cerébro da madrugada acha sobre o mundo, o domingo e os programas da tv. Isso é consequência de um dia sozinha em casa, um montanha de papéis para estudar, insônia sem fundamento e a vontade de quebrar o teto do meu quarto e aparecer no da minha vizinha dizendo: quer parar de pular e conversar comigo? Mas existe interfone pra isso e não estou disposta a quebrar teto com estilete. Pena que está tarde e ela já tenha parado de pular.

Comentários

Excelente introspecção a retratar uma das faces do drama urbano atual.

Aqui no interior a inspiração é diversa, mas a programação televisiva é idêntica. Faz mais de 1 ano que não ligo meu televisor.

=D
Marcos
Lucas disse…
Descreveu meu domingo... hehe
nossa eu nunca tinha pensado nisso, o domingo tem as mesmas horas que os outros dias, a mesma temperatura, tv não importa muito porque não tenho mais paciencia para assistir, apesar que assisto no emprego, mas, é pro tempo passar mais rapido enfim se ele é chato somos nós que o fizemos chato... é preciso encará-lo diferente...

perfeito

bjxxx
Karla Moreno disse…
"Choro por muita coisa. Muita coisa não é tudo. O mal da língua é o poder de reclamar.'

Concordo com C maiúculo!!!
O fato de insultarem o domingo pelo feto dele ser domingo é pura fantasia! Quem tem uma vida monótona procura isso pra ter onde se apoiar e por a culpa! E você disse absolutamente tudo.

Quanto a sua vizinha, ela pode dar as mãos à minha do 6° andar rs.

Beijos menina, e uma ótima segunda-feira,
Kakau.
Lili disse…
Odeiooo os programas de domingo na televisão...já quase não assisto tv durante a semana...mas domingo é o pior dia de todos...monótono por natureza...mas de vez enquando a genter consegue desmonotonizar...hehehhe

beijokas
Descreveu o domingo de muita gente viu? Eu tento fazer dele um dia diferente, mas é bem difícil. E concordo com você, o mal da língua é o de reclamarmos, principalmente de barriga cheia.

Bjim*
Marianna Neves disse…
Ótimo texto. Mas sou do tipo que acredita que vc faz seu dia. Assim como se chora por muita coisa, há muitas outras coisas com as quais dar pra sorrir, é só ir atrás. Pra mim domingo é que nem sábado. São os únicos dias da semana que não vou à universidade, que posso ir na praia que sempre terá alguém conhecido, dia em que posso jogar conversa fora com meus amigos, ir à um show, etc. Basta querer. Tenho tentado aprender a não deixar meus fds monótonos. Se só me resta assistir TV, que seja, vamos sorrir com o Silvio Santos e o Faustão. Mais tarde com o Paulo Henrique Amorim e o Zeca Camargo.

Beijos.
Uma ótima semana.
Que as insõnias sejam sempre produtivas porque, acredite, elas virão aos montes na sua vida. rsrsrsrs Sei disto por que vivo isto. Estar vivendo é uma forma inconciente de tentar racionalizar os momentos de inconstãncia do sono e tentar trasformá-los em produtivos...
Também choro, não por muita coisa, mas com muitas músicas. Não me pergunte o por que... apenas choro.

xeru na alma.
Karla Thayse disse…
Oi Flor!!

lindo blog... lindo, lindo.
Me sinto tão bem por aqui...
Tem um selinho lá no meu blog pra você, quando quiser pode passar lá pra pegar

um beijo.
Avilla Filho disse…
Sim, domingo é, televisamente, o pior dia da semana. Mas não vejo, na televisão aberta, muitas opções boas durante a semana tambem. Meu modo de lidar com o domingo é tentar não se lembrar que é domingo e tentar ficar o máximo longe de televisões ligadas. Ir á praia é bom( não, eu não faço isso por preguiça de acordar cedo, mas é bom). Dedico meu domingo a assistir DVDs, séries, leituras e leves saídas com o fim nutritivo.

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