pequena insônia

Era madrugada e Taíssa estava sem sono. Leu algumas páginas de seu livro da capa verde. O sono insistia em não chegar. Imaginando-se num castelo, sentou-se na cama com as pernas cruzadas e escovou o cabelo cem vezes. Uma vez, tinha lido que princesas, antes de dormir, escovava o cabelo cem vezes. Abriu a janela e um vento frio invandiu o quarto sem cerimônia. Perdeu as contas e muitos fios de cabelo. Nem sinal de sono. Não tinha relógio no quarto de Taíssa, mas ela sabia que era tarde. Seu papai já estava dormindo, sua mamãe já tinha desligado a TV e o seu abajur estava quente. Ela sabia que quando o abajur estava quente era porque muito tempo já tinha se passado. Deus, por favor faça que eu durma, amanhã tenho aula cedinho. Taíssa deitou a cabeça no travesseiro e levantou as mãos. As unhas ruídas, um arranhão na ponta do dedo maior. Taíssa balançava as mãos como se estivesse se despedindo do escuro. Criou coragem, desligou a luz e se cobriu com o seu maior escudo: o lençol.
Não sei se Taíssa dormiu, mas a vi hoje cedo.
Comentários
bjo!
beijinhos
Me senti lendo um romance quando li este texto, o final tá excelente, como já mencionei anteriormente, vale ressaltar:
''Não sei se Taíssa dormiu, mas a vi hoje cedo. ''
muito bom.
Será que dormiu? Será que não?
Pelo menos independente disso ela foi pra escola. ^^
muito legal a forma como vc descreveu o pensamento infantil
parabéns :)
gostei do texto! Aliás, seus textos são ótimos :] sempre que posso, passo por aqui...
parabéns de verdade, e obrigada pelo comentário feito outro dia!