versão 1


A versão do velho de binóculo: Nada detalhado posso falar do acontecido. Estava em casa, aouvindo meu rádio...
-Que rádio?
-Não me lembro.
-Continue.
...quando me deparei com uma atraente mulher no apartamento da frente. Era linda demais e não tinha se dado conta dos olhares que a examinava. Mas não demorou muito para perceber a minha presença. Então, começou a fazer estranhos gestos com a mão...
-Que gestos?
-Já ia falar.
-Desculpe-me, continue.
...que, só depois de um tempo, notei...
-Quanto tempo?
-Sei lá! Faço o favor, senhor detetive, de me escutar?
-Ah, claro!
...notei que gesticulava números. Só poderia ser um número de algum telefone.
-Por que achou isso, velho assanhado?
-Ora, ela estava dançando na janela para mim.
-Como sabe que era para você? Ela disse seu nome? Como ela estava vestida?
-Lógico que era para mim! Ela estava com um vestido curtinho.
-Ela sempre faz isso?
-Faz, mas é a primeira vez que dança olhando diretamente para minha janela.
-Queria ter vizinhas bonitas...continue.
Dei um jeito de pegar um pedaço de papel e uma caneta. Olhava pelo binóculo e anotava de qualquer jeito.
-Por que de qualquer jeito?
-Estava com pressa!
-Com pressa? Em nenhum momento disse-me que estava com pressa.
-Não estava! Só naquela hora; ela podia parar de fazer os números com as mãos!
-Entendi. Continue...
Quando voltei, ela não estava mais lá e, logo em seguida, escutei algo que imagino ter sido um tiro.
-Um tiro de quê?
-Não sei, não consegui ver.
-Ah, tudo bem. O tiro foi na mulher?
-Não sei, não consegui ver.
-Entendo. Tinha sangue pela casa?
-Não sei! Já disse que não consegui ver!
-Desculpe-me. Só mais uma pergunta, tinha quantas balas na arma?
-JÁ DISSE QUE NÃO SEI!
-Tudo bem. Não precisa se alterar.
.
.
versão 2: a versão da porta.
P.S: Baseadas em um conto de Luis Fernando Veríssimo. Obrigada, Kawanami, por ter me lembrado.

Comentários

Lembra um conto de Luis Fernando Verissimo.
A versão depende do observador, da óptica, do ponto de vista e da bagagem sóciocultural de quem faz a declaração.
No caso da História, as versões são menos transparentes: Quem conta a história é o grupo dominante, o conquistador.
Eu, por exemplo, fico triste quando dizem que não foi Santos Dumont que inventou o avião. Só franceses e hibéricos compartilham de nossa opinião acerca do inventor brasileiro.

beijó(K)awanami
=D
Bárbara Fróis disse…
Aii, o que será que aconteceu?? Hahahahaha
Fiquei curiosa!
Bejos
.moony. disse…
rsrsrs
ótemo ^^
continuação??
bju
teh +
o/*
.moony.
Aaaaa eu quero saber o reeeeestoo ! ;DD

Muito intereçante! Gosteii..

Beijooss
Lêe Oliveira
( http://oleeh.blogpot.com )
Lili disse…
Nossa....queria saber o que aconteceu com a mulher...hahahahah

bjooo
Aline disse…
Eu estou achando que o marido ciumento viu tudo e atirou na vizinha!
Bem elaborada a contextualização do conto; uma narrativa prazerosa e concisa!
Bertonie disse…
AOREI, o que será que aconteceu-se ???????????!
Que detetive mais chato, rsssss


beigos mil
roberio disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Minnie_ disse…
Acho que esse detetive trocaria muita coisa para estar no lugar do binóculo.
Adorei!

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