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talvez um dia
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Talvez um dia, fiquemos juntos. Um dia de manhã qualquer, acordar, passar a mão nos teus cabelos e te falar sem pressa que já está na hora de acordar. Te ver indo embora, enquanto estou pensando no que comer com minha cara de preguiça de todos os dias. Procurar a chave do carro pela casa enquanto vejo o quanto nossas coisas já se bagunçaram. Talvez um dia, acorde um pouco mais cedo e saia pra tomar um chocolate lendo um jornal antes de abrir algum projeto. Café é coisa pra se tomar de madrugada. E nesse mesmo jornal, ver como será o dia e acreditar que uma folha de jornal possa me dizer se vai chover ou não, se o maré está alta, se a lua está cheia ou se vai nascer hoje. Talvez um dia, me torne mais irresponsável. Que não me falte disposição para escolher o caminho mais longo, só pelo fato de ser maior do que imagino, onde o fim não seja um objetivo e que esteja logo na minha frente. Que seja difícil, longo, que chova muita e que inunde as ruas, que me permita t...
Era onda, num vai distinto da volta.
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Frio. E não era o ar que passeava pelo corredor da casa do lado da sombra. Vinha de dentro. Um frio interno que saia petrificando cada orgão de seu corpo. E logo, logo após, estilhaçavam-se. Sentia o sangue correr, o coração bater, o barriga gritar. Gritos silenciosos, batidas sem som, corridas em círculos. Era tudo dela. Sua vida guardava sentimentos e seu corpo era uma central de meteriologia. O nervosismo congelava no instante que chegava. E arrepiava. Como um fluído invisível que vai tomando de conta, subindo, envolvendo, revirando o que está em paz. Sente sua liga segurar seus cabelos perto do pescoço, numa guerra sem fim para que ao menos a moldura do rosto permaneça intacta. Um cenário para aquela tempestade que troveja e trava músculo por músculo. Era frio. Não, era nervosismo. Nervo sismando. Era clima, era chuva, era mar revolto. Era onda, num vai distinto da volta. Era chegada. Era deixar partir. E uma hora se vai.
faz parte
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Tristeza faz parte. Tristeza faz arte. E faz. Chega ao ponto de ser algo natural. Tristeza chega e com ela vem o choro, fácil. Lágrimas que doem se não forem expostas. Lágrimas que desconfiguram um rosto se não escorrerem feito rio. Rios nunca são os mesmos. E passam e levam e arrastam. Olhos chororos nunca são os mesmos. E ardem e expulsam e aproximam. Das coisas que não permanecem que fiquem ao menos uma saudade nostálgica que não quer ter volta. E voltam. Um novo rio. Incessante. Uma vida escorrendo, não tem jeito. Tristeza faz arte. Quando não mais encontra espaço, a face vermelha arde e pesa e o sentimento ganha voz. Voz baixa, forte, devastadora. Tristeza não filtra. Tristeza expulsa e põe pra fora. Tristeza não fica a refletir e sim a se livrar. E daí, amor sofrido vira poesia. Ausências viram crônicas. Saudade vira fotografia. E assim, a vida escorre e passa e leva e limpa. Mas que assim não se seja por toda hora. Alegria também faz pa...
O design complicado do eu te amo.
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Vez ou outra, vejo alguém reclamar que eu te amo não é bom dia. De fato, é um grande motivo pra reclamar. Desejar um bom dia para alguém é tido como sinal de educação. Tanto que hoje, como forma de preservar uma imagem educada e polida, que chega a brilhar, boas coisas são desejadas ao além, aleatoriamente, sem a força do bem circundar de energias positivas o dia de uma pessoa. É justo naqueles dias, que acordamos perdidos no mundo, dias que nenhuma roupa, nenhuma maquiagem esconde nossos machucados, que um bom dia chega para nos abraçar e nos fazer acreditar que dias bons estão todos dias prontos para serem aproveitados. Às vezes, o cansaço é tanto que não há disposição nem para seguir em frente e nessas horas ter alguém te dando um empurrão é bem vindo. Ai vem o eu te amo...três palavras cheias de suspense. Sete letras contadas mais difíceis de pronunciar do que as vinte e seis do alfabeto. Dizer um primeiro eu te amo para alguém é quase como atuar para um platéia enorme ...
são elas que sempre ficam.
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As coisas que eu faço são feitas para os olhos de alguém ver. Será mesmo? Momentos chamados de inesquecíveis por alguns não dependem intimamente de alguém para se tornaram aconchegantes. Los hermanos, sábado. Praia, cheiro de praia, vento grudando sal na minha pele, pés cavando a areia por mania de ter sempre areia gelada entre os dedos. E vem a primeira música. Segundos para reconhecer a melodia, todo o show para lembrar cenas das quais tais músicas viraram trilha sonora. Trilha sonora...engraçado falar disso como se nossa vida fosse uma novela e tivesse alguém segurando um controle esperando a hora de soltar a música. Dói perceber que isso não acontece. Dói não ter uma música bonitinha embalando os inúmeros primeiros beijos com os inúmeros primeiros amores. O tempo caminha e felizmente, talvez, para-se de esperar o play e depois, em casa, escuta-se uma música e com toda a consciência lembra-se de alguém e fica. Fica pra lembrar, pra ter saudade, pra dar sorrisos...
no meu querer de agora
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Se os meus 'eus' não estão gostando de mim As roupas mudarão Os cabelos mudarão As comidas mudarão As músicas, os filmes, os livros mudarão Mas os meus 'eus' não mudarão Ficarão apenas gostando Gostando apenas de mim Se meu lado sizudo amolecer Se meu olhar 'descegar' do provavél que vê Se minha fala se abrir pros ouvidos do mundo Se meu olfato se livrar do imundo Se meu coração perder o ritmo Se o descompasso descontínuo me atingir Se eu fechar os olhos e me permitir Eu mudarei O eu de agora O eu de hoje O eu de amanhã O eu do nada Nada. -isabellecristhinne