Era onda, num vai distinto da volta.


Frio. E não era o ar que passeava pelo corredor da casa do lado da sombra. Vinha de dentro. Um frio interno que saia petrificando cada orgão de seu corpo. E logo, logo após, estilhaçavam-se. Sentia o sangue correr, o coração bater, o barriga gritar. Gritos silenciosos, batidas sem som, corridas em círculos. Era tudo dela. Sua vida guardava sentimentos e seu corpo era uma central de meteriologia.  O nervosismo congelava no instante que chegava. E arrepiava. Como um fluído invisível que vai tomando de conta, subindo, envolvendo, revirando o que está em paz. Sente sua liga segurar seus cabelos perto do pescoço, numa guerra sem fim para que ao menos a moldura do rosto permaneça intacta. Um cenário para aquela tempestade que troveja e trava músculo por músculo. Era frio. Não, era nervosismo. Nervo sismando. Era clima, era chuva, era mar revolto. Era onda, num vai distinto da volta. Era chegada. Era deixar partir. E uma hora se vai.

Comentários

Natália disse…
como uma tempestade solar que arde no fundo. uma hora se esvai.
Isabelle,

às vezes eu também tenho semelhantes picos de ansiedade, os quais paralisam; quando a ansiedade é moderada, escrevo muito. Seria preferível ser quotidiano e banal? Mais tranqüilo seria sim, talvez até mais producente, mesmo sem grandes inspirações.

=)
Marcos

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