quarta-feira, 18 de novembro de 2009

o chapéu gosta muito da karine!

ISSO É UM PRESENTE!
PARABÉÉÉÉNSS KARINEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!

Você é o ser humano de meio metro mais legal do 'nosso' local de estudo novo!

A futura psicóloga mais lou...melhor ficar calada xP

beijo e sinta-se amada por mim! (eeeita hauehe)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O que seria da poesia se todos descobrirem o que é amor?


Eu não sei o que é amor. Já achei que fosse algo que se sentia quando se está com alguém, mas sinto tantas coisas longe de tantos alguéns. Já achei que fosse o contrário do ódio, mas não sei se já odiei alguém a ponto de amá-la. Meus ódios costumam passar ou serem esquecidos. Tive quase a certeza que o amor viria junto com aquele que me fizesse chorar de saudade, mas eu já chorei de saudade mesmo estando ao lado de alguém. Me senti sozinha abraçando alguém. Amor não é isso. Pensei que o amor fosse aparecer por acaso, mas o acaso perdeu o meu endereço. Faz um tempo, que antes de acaso chegar, eu preciso dizer nome, telefone, onde moro e quando o tempo ajuda, dizer o que vim fazer no mundo. Tive quase a certeza de que só se tem um amor na vida, porém aprendi que se tem quantos amores o coração suportar. Também, quis acreditar que a profecia do "que dure para sempre" só funciona com o primeiro amor que faz você ir dormir sorrindo, acordar pensando e passar o dia querendo. Mas, o meu primeiro amor fugiu sem nem dizer para onde, mas para sempre ele viajará pelo meu pensamento buscando uma parada, um sossego. Não se esquece pessoas, adormece-as na memória. Daí vem as insônias.

Na verdade, eu não sei dizer o que é amor.
Saber eu até sei. Sei quando ele já está em mim, quando insiste em ir embora e quando vai fixar morada até o meu fim.
Só não sei onde ele está, nem onde se encontra e nem como se pega.

O que seria da poesia se todos descobrirem o que é amor?
Os versos ficariam mais tristes, conformados e acabariam no ponto final mais próximo.
Os jovens não podem se conformar com qualquer coisa que dizem sobre o amor.
O amor é amigo do tempo, da idade e da memória.
Alegria de amor, dor de amor, choro de amor, momentos de amor não se esquece, já percebeu?
O tempo precisa passar para cada idade ter o seu amor.
Ah! Parem de ler e vão amar, é bem melhor.
É, amor, você é uma tempestade.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

desejo inusitado


Depois de um longo tempo, eu o encontrei.
Foi inesperado, na hora do almoço.
Estava na fila do restaurante, quando o vi, encostado no vidro.
Demonstrei minha euforia para quem estava ao meu lado.
-É ele! É ele, está vendo?
As pessoas sorriam e confirmavam com a cabeça. Apenas uma mulher respondeu algo:
-Sim, é ele. Há tempos não o via.
Há tempos, eu não o via, nem o tocava. Do gosto, pouco lembrava, acredito. Mas, da cor, da sua pele rosada, eu nunca me esqueci. Se você, um dia, o ver, nunca mais esquecerá aquilo que esconde o seu sabor exótico, seu líquido que queima e seu gosto que vicia.
Eu o tomei. Não todo, como queria, mas o tomei um pouco com a vivacidade de uma vida inteira.
Estava quente, mas ainda dava para sentir o frio do último gelo presente.
Foi só minhas mãos o enlaçar, minha boca o prender para os calores se trocarem.
Não ia durar muito. Já o peguei sabendo que o tempo ia, mais uma vez, acabar com tudo.
O tempo, como já fez tantas outras vezes, iria nos separar por mais imensos dias de desejos.
O último gole aconteceu.
O sabor de canela deixou um rastro na minha garganta.
Ele foi embora.
Bem, eu fui embora e o deixei lá.
A próxima vez chegará.


Isso ficou ambíguo. Essas palavras estão bem salientes (haha).

Mas eu estou falando, para a felicidade do meu pai, do refrigerante Jesus, bebida típica do Maranhão. Vez ou outra, encontro aqui no Ceará para vender. Hoje, encontrei num restaurante aqui perto. A mulher que se pronunciou na conversa, confirmando a veracidade da minha visão, era a minha mãe. Ela também gosta incrivelmente muito de Jesus. Tem cor de chiclete de morango e um sabor de canela, de remédio para dor de cabeça de criança, xarope pra tosse, e essas coisas rosas. Quando tem Jesus, a Coca Cola é rejeitada, o Guaraná desprezado e o suco de maracujá é adiado.


um beijo torto e rosa
amém!


quarta-feira, 4 de novembro de 2009


Borboletas voam por aqui
e aqui eu tento voar
meu vizinhos de alma me visitam no pensamento.
borboletas tentam pousar em alguma flor
eu tenho uma flor
eu sou uma flor
mas eu não gosto de borboletas
e
e não sei voar
Borboletas não estão aqui por dentro
Não as sinto
Ponho a mão na barriga
e só sinto minha respiração
Indo e vindo
Indo
Seguro o ar lá dentro
Que nem um amor proibido
um coração bandido
e um beijo perdido.
Prender o ar mata?
Não sei, o ar pediu pra sair
E eu deixei.
Podem ir, borboletas.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ela foi embora. foi embora de mim.
está pelo mundo em lugares que eu desconheço.
falando o que não posso escutar.
amando outras vidas
andando para longe. longe. longe. cadê?
ela foi embora e me deixou sem uma última palavra.
apenas com um tchau apressado e triste.
ela ficou triste quando disse o último tchau da noite.
eu senti mas nada fiz.
deixei o telefone desligar
deixei o tempo passar
deixei-a
ela me deixou.
foi embora de mim.


o ela sou eu
eu fiz isso

"Para os que viajam, as estrelas são guias..."


Bem que eu poderia ter um avião ou qualquer coisa que voasse.
Se tivesse, voaria para São Paulo encontrar um príncipe agorinha.
Um príncipe que me encanta desde o dia que eu o vi pela primeira vez.
Desde o dia que eu o achei perdido entre tantos outros personagens.
Desde a vez, que mexendo nos livros da minha vó, achei O pequeno príncipe que foi, é, da minha mãe.

A capa dele está machucada, com uma rachadura em formato de meio círculo.
Está amarela, com a saúde fragilizada.
Mas cuido dele, como se fosse o último do mundo.
Nesse momento, ele está guardado bem no meio da minha pilha de livros, fugindo dos olhos que maltratam os livros.
Quase sempre que dou uma passada em alguma livraria, o vejo na prateleira novinho. Com a capa branca, que até brilha na luz. Não tenho vontade de comprar, nem de roubar, de esconder na bolsa. Não que eu faça isso, mas quando me vejo em um lugar cheio de livros tenho a vontade de levar todos. Pena que minhas bolsas são pequenas e minhas blusas não escondem muita coisa.

Tanto é verdade que comecei A menina que roubava livros com essa minha vontade louca rodando minha cabeça. O livro começa com a morte falando...se eu roubar livros, eu vou morrer. Bem, não terminei o livro. Não consegui, ou não tentei direito.


Bem, fica a dica:


De 22 de outubro a 20 de dezembro
Oca, Parque do Ibirapuera, Pavilhão Lucas Nogueira Garcez
Parque do Ibirapuera s/n – Portão 3
De terça a sexta-feira, das 9h às 19h, fins de semana e feriados, das 10h às 20h.
R$ 18.

Para os que vão, posso pedir um favor?
Lembrem desse chapéu torto que, ao mesmo tempo que fica alegre, derrama algumas gotinhas de lágrimas das suas abas por morar longe do Ibirapuera.
Bem, o pequeno príncipe mora em mim, mas deve ser divertido visitá-lo em outro lugar.
Ah! Outra coisa! Se puder bater foto, bate algumas e me manda? chapeutorto@hotmail.com

Vou jogar chapéus pra cima de alegria!

"O Pequeno Príncipe, um livro, com tão delicados desenhos, mostra que os homens do seu tempo, e por acaso do nosso também, quase não percebem o mundo que os envolve.
O Príncipe e as palavras infantis são tão precisas…"
-Felipe Tassara
Museógrafo da exposição


beijo torto de outro planeta

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Tomar todas, até jeito


É hoje que eu tomo jeito
Vou por uma figa no braço
Um pé de coelho na bolsa
Semente de uva na carteira
Trevo no cabelo
Tudo isso antes de ir

Mas hoje, hoje eu tomo jeito
Vou pra rua
Perguntar como se chega na lua
Vou ver almas nuas
E pessoas cruas
Vou ser tua
Basta comigo ir

Hoje, decidi que hoje eu tomo jeito
Tomar todas
Vou sair de si
Vou tomar amores
Tomar tristezas
Tomar alegrias
E depois vou jogar tudo fora
Como um filtro na garganta da alma
E vai ficar apenas o que me possuir por inteira
Para isso é só ir
Ir comigo
Ir além
Ir, rir, partir, sair
Só não leve o meu jeito
Amanhã, quem sabe
Vou tomar jeito mais uma vez

Amanhã, é amanha que eu tomo jeito.


Acordar no feriado, com a preguiça grudada no pijama
A casa no silêncio e a vontade de sair correndo pelo mundo. Mas, ao invés disso, fico quieta assistindo um filme, maturando palavras e comendo os chocolates que estão no potinho de vidro colorido da cozinha.


beijo torto com cheiro de eucalipto

domingo, 1 de novembro de 2009

mais capítulos

Já são seis capítulos feitos.
Estava com muitas saudades dessa história maluca que tirei da cabeça e coloquei nos pápeis.
Escreverei mais alguns capítulos e darei de presente para a Thayná, minha prima de sete anos - essa mesmo que está nas fotos do chapéu.
Ela é maluca, tem uma imaginação imensamente enorme e ia adorar se a casa dos nossos avós tivesse mais um andar.


1. Os andares da casa

É uma casa chamada Mundo de três andares sem grades nas janelas. Eu a chamo de Mundo pelo fato de ela ser muito grande e ter esconderijos preciosos e escuros descobertos nas minhas expedições vestido de pirata. No primeiro mora um velho simpático com um cabelo marrom com branco que toca violão, flauta e alguma coisa que eu não sei o nome toda noite. Moro no segundo andar com minha mãe, meu pai e uma irmão estranho. Costumam me achar estranho, mas eu não sou; ele quem é. Bem, o terceiro andar há muito não é habitado por alguém, que eu saiba. A casa é antiga; tem aparência de coisa que é guardada dentro de uma caixa e a cor desbotou. As paredes são de um azul desbotado e sujo e as portas e as janelas tem uma cor laranja, que quando abertas parecem retângulos pintados em uma tela azul desbotado e sujo. A rua é calma. Em frente a Mundo mora a velha Zalu que cobra mensalmente os aluguéis dos andares. Ela é uma velha boa e faz doces tentadores. O portão de entrada é cinza, tem umas pontinhas afiadas, que parecem agulhas, apontando para o céu e é forte - até hoje, depois de tantas boladas e pedradas, não quebrou. Ele é alto, mas tem um pedaços de ferro colocados na horizontal que dá pra escalar levando apenas alguns arranhões. Já estou acostumado; consigo atravessá-lo sem dificuldade, mas, quase sempre, está aberto e não preciso me aventurar. Uma pequena escada que antecede a portal de entrada me deixa do tamanho do portão. Minha mãe disse que é só uma tal de ilusão, mas eu afirmo, eu fico do tamanho do portão! A porta de entrada é de madeira escura com uma janelinhas de vidro opaco. Como ela é linda...mas nada se compara com a escada dos andares. Ao abrir a porta de madeira, aparece uma sala - meus pais a acham pequena demais - para mim, a sala é enorme - com um piso que parece um tabuleiro de xadrez. Isso é divertido; tem dias que só pulo nos quadrados brancos; tem dias que pulo alternadamente, quadrado branco, quadrado preto. No meio da sala, tem uma escada com trinta e três degraus; onze para cada andar. Como eu gosto dessa escada. O corrimão é fininho, não dá para escorregar; os degraus são de madeira e faz um barulho de grilo preso dentro do guarda-roupa do estranho do meu irmão. Esses barulhos, durante a madrugada, me deixavam com um medo arrepiante. Que eu saiba, escada não range sozinha...então se o barulhinho aparece é porque tem alguém usando os degraus. Mesmo assim, eu a acho linda.
7. ...
beijo tortoooo e laranja!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Comidas de rua!

Certas comidas escondem mistérios. Mistérios esses que são simples, rapidinhos e baratos. Não falo de temperos estranhos, de nomes difíceis e de gostos nobres e exoticamente duvidosos, falo dos lanches de rua, daquelas comidinhas que enganam sua fome no momento mais apressado ou quando só se tem moedas nos bolsos.
Têm os sucos de todos os tipos no quiosque da esquina; os churros com recheio de chocolate e doce de leite feitos na hora da banquinha na praça; os sanduíches da senhora simpática que mora na rua ao lado; os pastéis exageradamente cheios de queijo; o camarão do homem barulhento e estiloso da praia; a batata frita no carrinho perto da parada de ônibus; as trufas de chocolate na caixinha da menina na porta do colégio; os picolés mais gelados do tio que passa sempre ao meio dia naquela rua; água de côco da lanchonete da esquina; e todas as coisas que são vendidas pelo mundo sem nota fiscal. É na rua, também, que se encontra o lado ousado dos alimentos, coisa que não se encontra em lugares mais arrumadinhos: um sanduíche com dez centímetro de carne, ou um pacote de nuggets com litro de molho. E volto a repetir: tudo isso por menos de cinco reais (quase sempre, muito menos que cinco reais).
Nem tudo é de boa procedência. Melhor, nem tudo é feito, cortado, embalado de forma higiênica, mas a maioria tem um sabor incrível. É quase impossível fazer com que uma batata frita feita em casa, com óleo novo e panela brilhantemente limpa, fique com o gosto das batatas feitas na rua, com o óleo de três dias, em uma panela enorme marcada pelo uso. Em casa, o sabor fica limpo demais, certinho demais e sem graça demais! Na rua, tem a emoção de comer em pé esperando o ônibus, a fome correndo tudo que é de estômago, intestino e essas coisas.
Enquanto que no fast-food de sandúiches da moda compra-se um sanduíche, na rua se compra-se dois sanduíches, vários copinhos de refrigerante (muitas vezes sem gás, mas lembre-se que você estará com sede) ou suco (muitas vezes soterrado de açucar)e ainda acompanha a sobremesa: o chocolate caseira da irmã do vendedor de sanduíche por cinquenta centavos!
Que mistérios é esse? Que tempero secreto invade esses alimentos? Não tenho absoluta certeza, mas guardo em mim uma ótima sugestão. O segredo é: a necessidade de vender tudo e levar o dinheiro para casa no fim do dia para usar nas despesas da casa e amor. Bem, não acredito que o vendedor abusado de pastel faço aquilo por amor, mas a velhinha do sanduíche...essa sim põe amor e simpatia na suas receitas secretas para jovens em crescimento. Pode até ter, mas quem vai para rua vender coisas no grito não é nenhum rico. Pode ser uma pessoa cheia de felicidade, mas não cheia de dinheiro. E isso não é vergonhoso, nem humilhante, nem o fim do mundo.
Eu, mesmo, vendo rosas para por no cabelo que minha avó faz para as meninas que ficaram loucas pelas rosinhas que eu costumo usar. Para não sequestrarem as minhas rosas, estou vendendo para elas. Isso não tem nada a ver com comidas, mas o que vale é intenção: receber algum dinheiro por isso e deixar as pessoas felizes! Quem come, acha bom e fica feliz; quem usa as rosas, fica bonita e fica feliz! E, nós, os vendedores de coisas, ficamos com dinheiro e felizes. Belo ciclo.
Bem, deixe-me lhe dizer outra sugestão, por sinal a melhor até agora, para o mistério. Como Deus é bom e olhar por todos, ele permite que toda a poeira do asfalto, areia, tudo que é de gás tóxico que sai dos escapamentos do carros circule essas comidas como um espírito do bem e entre nas suas composições, as deixando com um tempero único. Em nossas casas, quase não se tem poeira de asfalto, não é? Então, a nossa batata frita não vai ficar tão boa (vai ficar sem graça e murcha!)
Obrigada, pessoas que vendem coisas nas ruas por esses momentos de prazer alimentar.
Meu Deus, faça que nenhuma dessas coisas me faça mal.
Amém.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

haha















sexta-feira, 23 de outubro de 2009

vou ser uma velhinha legal

"Sorte de hoje: Nós somos o que pensamos
(só não pense que você é um super-herói e não tente voar)"
-
O orkut é um sábio, nossa.
Na verdade, esse 'site incrível' já foi objeto de prazer da minha curiosidade. Quando digo 'objeto de prazer da minha curiosidade' significa que já não passo horas da minha vida vendo a vida dos outros em fotos, quem está namorando, quem acabou o namoro, as frases da clarice lispector, do drummond, do manuel bandeira resumidas a um 'quem sou eu'. Já fiz muito isso! Passava horas buscando frases de impacto emocional para me descrever e para surpreender quem lesse. Sucesso zero, assumo.

Drummond deve ter um acordo com alguma força aculta que proiba o uso de seus versos para fins exibicionistas. E demorei algum tempo para descobrir isso. Bem, não foi uma epifania. Passei a ler, apenas ler. Ler para ler. Abrir um livro, ler, ler, ler, ler, fechar o livro e ficar com as palavras seguindo a maré sanguínea dos meus pensamentos.

No meu 'quem sou eu' atual tem: vou ser uma velhinha legal e estou treinando para isso. Isso não é nada demais. Não que eu seja um nada. Eu sou alguma coisa, qualquer coisa, nem que eu não saiba isso; sem mais reflexões subjetivas ou complexos de inferioridade, superioridade, complexidade...isso é complicado demais e de coisas complicadas basta a indecisão de escolher coisas para comer em um serviço próprio (self-service). Já é quase hora do almoço, logo isso foi o que veio de mais complicado na minha mente pensante.

'site incrível': orkut é um site incrível, só depende da forma como você o vê. Para o engenheiro turco Orkut Buyukkokten, é a primeira maravilha atual do seu mundo. O cara deve ganhar um dinheiro desvairado com isso, mesmo dizendo em reportagens que não quer falar sobre o assunto. Econômico, ele. Para os outros é um amigo possessivo que me mexe com a imaginação humana ao ponto de desconfiar que bruxas vêem e salvam as fotos; ao ponto de fazer com que pessoas se achem incrivelmente criativas; ao ponto de terminar relacionamentos com contatos físicos por causa de recados de pessoas incrivelmente educadas e gentis que desejam todo o bom o para o namorado da outra; ao ponto de fazer com que mães descubram o lado alcoólico do filho, uma vez que é 'massa' por as fotos da última festa; ao ponto de achar que alguém é o que as comunidades dizem. Se for assim, eu sou um urso polar, um panda e um cavaleiro Jedi.

m.u.c (mais uma coisa): obrigada, orkut, pelo conselho de hoje. Se, hoje, eu pensar em pular do prédio ao invés de usar o elevador, por questões de rapidez, não irei fazer isso.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

o barco e o soldado

Imagina um barco de papel
Imaginou?
Pode ser um chapeuzinho de soldado também
-
Agora imagina esse barco dentro d'água
Imaginou?
Pode ser também um soldado andando na chuva
-
É a vez de imaginar esse barco com o convés inundado
Imaginou?
Pode ser os cabelos do soldado todo molhado também
-
Dessa vez imagina esse barco carregando sonhos em cada dobradura
Imaginou?
Pode ser também um soldado levando seus sonhos na cabeça, nas mãos e nos pés
-
Está na hora de imaginar esse barco sendo levado pelo vento
Imaginou?
Pode ser também um soldado sendo guiado pela voz que é soprada pelo coração
-
Vai imaginando esse barquinho pesado de tanto água
Imaginou?
Pode ser também um soldado cansado de tanta batalha
-
Imagina esse barquinho afundando sem pressa, afudando, afudando...
Imaginou? Ou tentou salvá-lo?
-
A água desmancha o papel do mesmo jeito que as batalhas ferem o soldado.
-
Se tirar o barquinho muito tarde
Se ajudar o soldado quando não há mais com que lutar
Tudo já terá afundado.
Tudo já terá indo embora.
Para não mais voltar.
Música geradora de tortos pensamentos azuis: Shimbalaiê - Maria Gadu


P.S: o barco sabia nadar e o soldado deixou as armas de lado e foi pra praia ser surfista! xP

terça-feira, 20 de outubro de 2009

tem dias que eu odeio escrever.

Você bem que poderia falar mais ao telefone
Ou então me ligar mais.
Ligue-me sempre que pensar em me ligar.
Mas se eu não atender, verei o teu nome gravado,
e já irei sentir falta da tua voz.
-

Você bem que poderia demorar mais quando viesse por aqui.
Ou então vir mais vezes, todos dias.
Venha sempre que sentir vontade de me ver.
Nem que seja naquele minuto livre do teu dia.
Posso até não querer que você vá embora assim tão rápido.
Mas se você disser que virá no outro dia,
já irei sentir falta da tua voz.
-

Você bem que poderia
ligar-me agora
vir aqui agora
falar-me
que me amas
sem pressa
repetidas
repetidas
e repetidas
vezes.
-
Assim, bem que eu poderia esquecer-me de todo o resto.
Menos de você.


Escrevi coisas em um papel durante horas.
Rasguei tudo.
Hoje, briguei com as palavras.

domingo, 18 de outubro de 2009

as luzes da cidade

-São Paulo



As luzes da cidade me encantam. No aparente silêncio da noite, elas vibram e movimentam o céu que mora nas minhas janelas. É domingo, o sono não demora a chegar e emolecer as forças. Os corpos vão descansar e as almas vão vagar pelo mundo em busca de sonhos.

Noites como essa, o sensível grito do vento é sentido pelo meus sentidos sensíveis. Noites como essa, quase sempre, estou sozinha. Não há nenhuma voz me questionando o motivo dos meus olhos perdidos no horizonte iluminado do céu. Não há nenhum olhar me intimidando as mãos por tentaram segurar com as unhas o ousado ar que circula meu corpo.
As luzes da cidade ardem com o sol do meio dia.
As luzes da cidade iluminam os gritos secretos da madrugada.
As luzes da cidade são testemunhas das ruas.
As luzes da cidade estão perdendo o brilho.
As luzes da cidade se apagaram.
Amanheceu e tudo está aparentemente normal.
Realmente, as luzes da cidade me encantam.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Vinte e sete aniversários


Amanhã é meu vigésimo sétimo aniversário. Isso não significa que eu vá fazer vinte e sete anos. Bem, já explico.

Já ganhei vários tipos de presentes. Da sandália menor que o meu pé a um aparelho de som prata am/fm que pegava CD e tudo, super na moda naquele ano. Na verdade, não me lembro se ganhei o som no aniversário ou no natal, mas o presente foi dos meus avós. Lembro perfeitamente. E sabe como são os avós com seus netas, perdoam esses esquecimentos bobos. Meus avós são tão legais quanto o dia do aniversário.

Na véspera, tem a preocupação do sabor do bolo, os convidados e a roupa que será usado. Mesmo o bolo tendo que ser de mil sabores, pelo fato de você só gostar de chocolate, sua mãe de doce de leite, seu irmão de morango, sua prima de castanha, seu avó evita comer açucar, seu pai nem pode comer muito chocolate, essas coisas de família. Os convidados são quem está em casa, ou perto, ou vai chegar, ou aparece sem querer e sai de barriga cheia. Nada contra os que chegam sem querer. Afinal, aniversário sem um parabéns desafinado e desordenado e sem as bençãos da tias não é aniversário!

Aniversário aumenta a idade, nos aproxima da morte (trágico, mas é verdade; tudo só depende do ponto de vista), faz as pessoas lembrar de sua existência, alimenta um desejo de mudança e nos dá presentes! Ah, os presentes! Eu sei que o amor e o carinho é algo de extrema importância e deve vim antes de qualquer presente. Mas o que impede de o presente vim depois do amor e do carinho?

O desejo de mudança que citei linhas acima é o seguinte. Um ano passou e muitas coisas passaram, também. Mudar o cabelo, a mochila (isso pode ser um presente!), comprar uma chinelinha nova ou mudar o toque do celular. No meu caso, mudar o toque é algo muito significativo, pelo fato de eu ter pavor de toque de celular e o meu hibernar eternamente no silencioso que vibra - bem mais discreto. Tem, também, a vontade de fazer uma faxina no quarto e jogar tudo que é entulho no lixo, ou mandar para a reciclagem, o que for. Só não vale jogar o mar ou queimar, olha o meio ambiente. Entulhos esses que são guardados com a intenção de um dia serem usados. Na realidade, eles quase nunca são usados e quando são é uma festa, que nem aniversário! Viu, tudo tem um relação íntima com o dia do aniversário!

Na lista de coisas a serem expulsas da sua vida inclui pedaços de papéis coloridos, tubos de filme usados, lápis de cor de madeira que não presta, embalagem bonitinha do presente que seu irmão ganhou da namorada, a primeira prova de física da vida, pilhas, anotações de receitas caseiras para hidratar a pele, cartão de vendedores, brindes da coca-cola, joguinhos de papel que vem no fandangos, dvd arranhado, revistas da década passada, calcinhas sem elástico, ligas de cabelos esticadas, fivelas enferrujadas, e coisas, coisas e mais coisas.


Ah! Deixe-me explicar o vigésimo sétimo aniversário! Fazendo a contagem por anos, vou fazer dezoito. Só que quando as mães descobrem que estão grávidas comemoram cada mês que passa. Logo, são comemorados nove mini aniversários! Então dezoito mais novo são vinte e sete. Entendeu?


Feliz Aniversário pra mim!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

copinho de plástico


Era um pouco mais de uma hora quando entrei no ônibus. Paguei a passagem com moedas achadas pelos bolsos, ouvi um obrigasdo mal pronunciado do trocador e passei. Passei da catraca e passei a ser mais uma peça naquele têtris humano que são os ônibus. Achei um espaço que me cabia e lá fiquei tentando me equilibrar com apenas uma mão. Uma senhora distraída estava sentada na minha frente, olhando para a janela com olhos de quem para para pensar. Demorou alguns minutos para ela reparar na minha situação. Até pensei em pedir para ela segurar meus livros, mas não queria atrapalhar o pensamento daquela mulher, por mais pesado e incomôdo fosse segurar-se apenas com uma mão. O ônibus freava e lá se ia tudo para frente. Bendita Inércia! Nessas horas, lembro-me do cinto de segurança tão desprezado quando se está em um carro. A senhora, enfim, olha para mim e se oferece para me ajudar. Minha vontade era dizer que já não era a hora, mas agradeci com um sorriso. Segurei com as duas mãos as barras de aço amarelas e me senti um tanto mais confortável. Ao menos, ia ser mais difícil cair. O ônibus entrou em uma das mais movimentadas avenidas daqui. O fluxo de meios de transportes e pessoas é constantemente intenso, mas, principalmente, naquela hora. A avenida está passando por reformas, o que deixa o trânsito de carros mais demorado e perigoso e o trânsito de pessoas mais incômodo e muito, muito mais perigoso. São obras por toda a avenida e dos dois lados. Cones com cores alegres isolam lugares onde o asfalto já não existe mais, fazendo com o que um percurso de cinco minutos dure mais de quinze. A meu ver, obras mal projetadas e mal organizadas, causando um demanda maior de tempo, dinheiro e qualidade de vida.

E no meio de tantas buzinas, poeira e suor, vi algo que me deixou mais feliz do que impressionada. Uma mulher e duas crianças tentavam atravessar a avenida. É algo que demanda paciência e atenção, principalmente, por causa das crianças. A mulher percebeu que não daria para passar naquele momento e então procurou um lugar 'na sombra'. A criança maior, uma menina, tropeçou num copinho de plástico enquanto andava para trás. Logo, ela pegou o copinho e ficou procurando um cesto de lixo. De fato, não tinha cestos de lixo ali por perto. A menina entrou na farmácia e conversou alguma coisa com o segurança. Eu o vi apontando para um canto da farmácia. Ela foi até lá e voltou para a rua sem o copinho na mão.

Como um copinho de plástico gera tanta felicidade em alguém que desde criança aprendeu que não se pode jogar lixo no chão simplesmente porque é falta de educação?

Não sei se aquela criança não joga lixo na rua porque sua mãe diz que é feio, ou se ela já tem noção das consequências ambientais de tal ação.

Bem isso não importa muito.
O mais importante foi que o lugar onde ela estava ficou um copinho de plástico mais limpo.


Dica do torto: coloque o seu copinho de plástico no lixo mais próximo! xD

sábado, 19 de setembro de 2009

Se permitam e se divertam.


Sempre gostei de escolher as minhas roupas. O problema, segundo minha mãe, não era a minha independência diante de um guarda roupa e sim as combinações que, às vezes, eu insistia em fazer. Hoje, por exemplo, eu faço combinações malucas e ela, na maioria das vezes, diz que estou ótima. O que aconteceu? São as mesmas combinações malucas de cores e estampas!

Antes, se eu saísse, coloridamente vestida, ao ponto de causar espanto nas pessoas, a culpa seria da minha mãe. "Olha o que essa mãe faz com essa menina". Não andaria com uma plaquinha: escolhi a minha roupa sozinha. Eu não tinha consciência disso. Só queria saber de sair com minha calça verde, a blusa vermelha e a sandália azul com glitter! Crianças são crianças, ora. Elas demoram para aprender a diferença entre bonito e feio. Uma criança não acha uma coisa feia, de fato. Pode achar engraçada, assustadora ou colorida demais. Crianças dizem: olha aquele homem da roupa engraçada! Crianças crescidas dizem: olha aquele homem fora de moda, feio e desarrumado.

Hoje, quando eu uso uma roupa maluca, as pessoas dizem: que roupa é essa? É minha, ora! Com isso, passei a perceber que roupas tem grande controle sobre a auto-estima de alguém. Há pessoas que se cobrem com o lençol do desânimo quando alguém diz que sua roupa não está boa. O que é uma roupa boa?! Você faz a sua roupa. É você que vai usar no pescoço: todo mulher de lenço no pescoço. Moda do elástico: toda blusa passa a ganhar um elástico. A moda 'passa' e tudo que foi moda um dia, passa a ser item de brechó estiloso.

Se é assim, assumo: sou um alguém fora de moda. Não gosta de usar o que está em 'alta'. Compro, guardo no guarda roupa e deixo a euforia baixar. Também, prefiro as roupas de feirinhas, de marcas pouco conhecidas, de supermercado, da vizinha que borda, da senhora da rua que costura, do brechó da perua amiga da tua avó. Se permitam.

Febre faz mal. Na biologia, desnatura as enzimas. No corpo, destrói a diversão.


Se permitam e se divirtam!

beijo torto!

PS: a peruca da foto pode ser emprestada! haha

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

a pensar

Uso muito tempo pensando. Em coisas que não precisam se resolver. Em coisas que nem sei se irão acontecer. Uso tanto tempo pensando que quando vejo o tempo já passou. O estudo atrasou. A hora chegou e eu vou ter que ir embora.

Agora, você me questiona:
-Mas, por acaso, paramos de pensar?

Pensa, talvez.


beijo torto!

09/09/2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Ainda vejo


Acordo e ainda vejo
o sono em mim
Ando pela casa e ainda vejo
o rastro de preguiça pelo corredor
Visto uma roupa e ainda vejo
O pijama sobre a cama
Calço o tênis e ainda vejo
O chão gelado do quarto
Fecho a porta e ainda vejo
A vontade de ficar
Vou pra rua e ainda vejo
...
Ainda não vejo nada
O sol me ofusca os olhos

uma foto de drummond


uma foto de mário quintana




terça-feira, 1 de setembro de 2009

Onde fica o paraíso? Fora do ônibus.

-Uma inteira, por favor.
-Cadê a sua carteira? Você é estudante, né?
-Sou, mas eu estou sem carteira esses dias.
-Por que?
-Uma inteira, por favor.
-Calma, estou apenas conversando.
-Tem oitenta centavos?
-Não.
-E vinte?
-Eu não tenho moedas.
-Fica mais fácil com moedas, sabe?
-Não sei. Por favor, o meu troco.
-Calma, eu estou pegando.
-Eu estou calma! O senhor que está começando a me irritar.
-Pra que essa pressa, moça? O ônibus está lotado o melhor mais confortável é aqui na catraca.Aproveita, só subiu você nessa parada.
-Minha bolsa está pesando!
-E? Isso não é desculpa. Não vá pensando que alguém vai se levantar para você sentar. Aqui, minha filha, conseguir uma cadeira pra sentar é quase a mesma coisa de ganhar na loto. Não tem mesmo vinte centavos, moça?
-Já disse que não tenho!
-Moça, não tenho vinte centavos.
-Como assim, você não tem vinte centavos?! Essas pessoas entraram como?!
-Do mesmo jeito que você, pela catraca.
-E nenhum pagou com moedas?
-Pagou.
-Então me dê meus vinte centavos.
-Serve bombom, moça?
-Não!
-Calma, moça. Olha o que eu achei! Duas moedas de dez centavos escondidas!
-Idiota.
-Tchau, moça.
...
-Tchau, moça.
...
-Tchau, moça.
-TCHAU, CHATO!
.
.
-Com licença...Com licença, deixa eu passar. Com licença...Vai descer na próxima?
-Não.
-Deixa eu passar, vou descer na próxima. Com licença. Desculpa, senhora.
-Quer que eu segure sua bolsa?
-Não precisa, vou descer na próxima. Se o inferno existe, eu estou dentro dele.
-Disse algo?
-E te importa?
-Com licença...Com licença...Ei, estou querendo passar, vou descer daqui a pouco.
-Eu também vou descer.
-Na próxima?
-Não, só vou descer no final da linha.
-E está fazendo o que aqui na frente?
-O mesmo que você.
-Mas eu vou descer agora! Ainda falta muito pro ônibus chegar no fim da linha.
-Sou prevenida.
-Mas a senhora está quase com o pé na calçada!
-É pra ser mais fácil na hora de descer. Por favor, deixe de se esfregar em mim.
-Eu não estou me esfregando em você! O ônibus está lotado, não está vendo, não?!!!
-Sou mais velha que você.
-Dá pra perceber. E, também, mais gorda!
-Me respeita, filha do diabo.
-Está assistindo muita novela! A senhora fez eu perder a minha parada!
-Perdeu não, ela ainda está lá.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

janelas

A vida é como uma casinha cheia de janelas. Uma casinha muito grande com muitas janelas de todos os tamanhos e cores. A gente nasce e a primeira janela se abre. Ela é pequena e tem cor de mãe e pai. A gente aprende a andar e mais uma janela se abre. Essa é grande e quase que encosta no chão. Assim, se o bebê inventar de andar em cima, a queda é menor. A gente aprende a falar e uma janela enorme se abre. Essa janela tem vista para o mundo e, todo dia, vai-se até lá, e vê algo que nunca foi visto. E assim crescemos, vendo coisas novas a cada dia e dando nome a elas. Os anos vão passando e as janelas vão ganhando vida. Quando o primeiro dente de leite cai, uma janelinha aparece e fica aberta até a chegada do outro dente. Tem a janela da alegria que faz de tudo para ficar sempre aberta. Tem a janela do amor que é tímida e prefere ter uma cortina a protegendo. Essa cortina é feita de olhares, palavras, de beijos e de abraços. Tem a janela do sono que se fecha por cinco minutinhos sempre quando precisamos acordar cedo. Tem a janela do choro. Por que não? A janela do choro se abre só pela metade. Do lado fechado, ela tenta esconder os olhos inchados e o nariz vermelho; do lado aberto, ela deixa o vento secar as lágrimas e trazer um sorriso. Quando uma janela é fechada com muita força, ela machuca nosso coração. Por isso, ficamos tristes de vez em quando. E quando uma janela é quebrada, um vazio imenso começa a morar dentro de nós. Então, tenha cuidado com as suas janelas e com as janelas de quem você gosta.



beijo torto!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

século passado

Ainda é possível se encantar com o centro da minha cidade. A história ainda está nela e não só nos livros. Nas suas ruas, nas suas luas e nas suas esquinas.
Ontem, depois de muito perguntar, peguei um ônibus que ia parar quase em frente ao meu destino. Quando entrei, estava tão lotado, que, por minutos, tive a impressão de levitar. Bem, isso durou, realmente, apenas alguns míseros segundos, mas nada melhor que uma metáfora para intrigar os leitores de uma composição. Voltemos ao ônibus. Com o passar dos quarteirões, a solução humana foi se evaporando, até restar apenas aqueles que encontraram um lugar para sentar. O corredor ficou livre, o vento circulou e a gotas de suor acumuladas no corpo sumiram como boas almas.
O ônibus dobrou a direita e foi-se logo percorrendo a extensão da rua da entrada lateral do Theatro. As antigas grades de ferro fundido estavam deslocadas entre tantas portas de comércios enferrujadas. Muitos que estavam lá dentro nem repararam no prédio, com arquitetura eclética, que, há quase cem anos, tenta preservar a vida nos palcos daqui. Foi-se o Theatro. Lojas, lojas, lanchonetes, banca de jornal, vendedor ambulante, construções estranhas e sujas, até que o ônibus dobrou na Rua Castro e Silva, indo para o leste. Sou intimamente apaixonada pelo fim do leste dessa rua. Uma vez, nas férias, passei por ele de manhã cedo e vi o sol se espreguiçar atrás das torres da catedral. Mas, ontem, era meio dia e vi as torres cinzas e manchadas pelo tempo e pela erosão perfurarem o céu azul. Vi também a imponência da igreja diante de tanto concreto empilhado e sem beleza estética que, ultimamente, dominam as rápidas construções ou as reformas de fim de mês. Foi-se a catedral. O ônibus continua e passa por uma das entradas do Paço Municipal, que, segundo uma placa na calçada, está passando por reformas. Um prédio do século XIX, amarelo, com portas azuis e sem nenhuma pixação. Isso é um verdadeiro milagre. Um belezura ao lado de um jardim descuidado e com árvores verdes, mas tristes. O Seminário da Prainha e suas cruzes. Uma no pátio, que vi ao passar pelos portões abertos e uma na porta da igreja de quarenta e seis janelas viradas para uma das principais avenidas comerciais daqui. Não sei se são realmente quarenta e seis. O ônibus passa ligeiro como se fosse perder o trem.
Meu destino estava próximo.
Fui até a porta, esperei o motorista parar e desci.
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Ano passado, ao passar por essa rua, escrevi algumas coisas. Se quiser ver:
-Rua Castro e Silva - Outubro de 2008
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beijo torto!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

É dançando.


Se eu vou chegar lá
De alguma forma
Então que seja dançando
Se algum tom de azul vai me iluminar
Que não seja o do céu
Que não seja o do mar
Que seja a luz do palco de algum palco a brilhar
 
 
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