Postagens

até o dia

Imagem
Não preciso de um espelho pra saber que há algo errado, mas preciso de um pra saber o quanto há de errado nisso. Me inquieta, me tira do sério e me faz pensar incontáveis maneiras de mudar tudo. Então, chega o dia que minha vontade de ficar feliz não tem forças nem jeito de acontecer. Sem jeito. É isso. E aí, eu corto o cabelo. Cada pedaço de cabelo caído no chão é uma parte de mim que não quero mais. Se tudo se renova para surpreender, eu preciso me renovar para seguir em frente. Preciso de espaços livres, de caxias vazias e de folhas limpas. Preciso de um cabelo novo que me faça olhar no espelho pra achar forças perdidas, jeitos ousados e vontades novas. Até o dia que o cabelo cresce, as pontas duplas aparecem e o jeito ajeitado perde o jeito outra vez. Me inquieta, me tira do sério e me faz pensar incontáveis maneiras de mudar tudo. E aí, eu corto o cabelo.  

ela

Imagem
Ela não concordou Ela se atrasou Ela não sei importou O dia passou A ausência se findou E ninguém chorou Ela fugiu O mundo girou Ele se perguntou E ninguém a achou Ela riu Ela saiu Ela voltou O dia passou A noite chegou E ela se apressou E uma vida de fez Um vazio se desfez E um amor se refez

disfarces

Imagem
Coloco a minha fantasia e apareço na janela. Num disfarce, a gente destrava o botão da vergonha e esquece. Os olhares alheios se desviam e me fazem deixar pra depois o que tem de ser feito. A vida fica arrumando desvios, caminhos improvisados, rotas alternativas para nos desafogar desse trânsito de confusões que a gente insiste em manter. Mesmo quando tudo insiste em sair dos trilhos, há sempre um jeito de apertar o freio, dar um banho de óleo e continuar. Riso escondido, suor escorrendo atrás da máscara e uma imagem tão ridícula quanto engraçada no espelho. Riso solto, fim de festa e eu me fazendo presente, sem disfarces e sem reflexos, aos olhos de quem quiser ver.

esperando por mim

Estava no caminho de casa, melhor, já estava na frente de casa, quando decidiu continuar. Foi devagar, já vendo o sinal ficar vermelho e as pessoas dando corridinhas por conseguirem atravessar alguns metros de rua. Parou o carro, só não parou de pensar para onde iria. Até voltar para casa seria uma forma de ir para algum lugar. O sinal abriu e decidiu continuar. Nenhum objetivo a levava para frente, nenhum sentido a guiava e ninguém ansiava a sua chegava. Apenas a vontade de continuar, de seguir, de ir. Pra onde? Não sabia. Não tinha nada marcado para as horas seguintes, não havia ninguém a esperando, só sua mãe que pediu pra ligar quando chegasse em casa. Não era tristeza, nem solidão. Não era alegria, nem festa. Era paz e cuidado. Era hora de dar colo para o próprio coração. Colocá-lo nos braços e dizer que não há problema algum. Que o dia vai continuar e ele vai ficar melhor. Era olhar pra baixo, para o  próprio corpo e dizer: estava esperando por mim. Lembrou qu...

e a dança...

No começo, tudo é empolgação . É a vontade de de fazer de qualquer jeito misturada com a preguiça e a conformação de que ainda terá tempo para aprender. O mundo que tem a dança como atmosfera é curioso, intrigante ao ponto de te conquistar de uma maneira forte. Até os movimentos saírem ritmados e naturalmente é necessário repeti-los incontáveis vezes e, por mais que elogios sejam feitos, enquanto não se tiver o domínio sobre o corpo, sempre será necessário mais aulas e mais ensaios. A dança é um ateliê . E são tantos os que a procuram que o difícil não é ter os instrumentos necessários e sim achar a sua maneira de usá-los. Uma das dificuldades está nessa busca, por isso, muitos desistem e a deixam para trás. Primeiro, se entra na dança. Depois, a dança entra em você e em muita gente. É o seu trabalho moldá-la, explorá-la até fazer dela uma parte de seu corpo. Enquanto isso não acontece, continua-se a dançar e com a primeira dificuldade, o desejo de deixá-la e maior que a insistência q...
Imagem
"Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras coisas."                                                                                                                        - caio f.abreu
Imagem
  e quanto a mim? ah, tem dias que eu não sou nada. que não tenho vontade de ser nada. e não fico mal por isso. então, recomeço. e aquilo que foi um nada... ah, passou.