pode chegar, tem espaço.

Matt Wisniewski
Chega o dia, que você diz pra si mesma: preciso comprar roupa. Será mesmo uma necessidade? Sabe-se que ao concluir isso, não se está dizendo que está completamente sem roupa. As roupas estão lá ocupando todos os espaços do armário, o cabide atrás da porta e o cesto de roupa. O que não falta é pano, mas ainda sim, o dia de sentar na cama e concluir que precisa-se comprar roupa chega e invade e nos faz sair de casa dispostas a voltar com que se está precisando. No entanto, necessidade é algo relativo e tem uma relação íntima com prioridades, que também é algo relativo, que faz com pessoas achem que não irão sobreviver ou não irão se sentir bem se não possuir tal peça de tal marca, ou tal peça de qualquer marca, ou qualquer coisa de alguma coisa. Enfim, são detalhes e detalhes pessoais. 
E foi justamente andando por lojas atrás de alguma coisa que me agradasse, que pensei e observei com mais cuidado, até carinho posso dizer, o ato de comprar uma roupa para si. Vive-se em uma realidade cheia de opções, cores, formas, tamanhos e texturas. Vive-se em uma realidade onde a cada dia surge algo novo. Vive-se em uma realidade na qual consumir é algo quase inevitável. E literalmente jogados e expostos a esse turbilhão de informações, possuímos preferências. Talvez, possuir não seja a melhor palavra. Talvez, 'criamos preferências' soe melhor. E que bom que criamos tais coisas, então seríamos verdadeiros manequins a cada temporada. 
Na verdade, muito do que se compra não é de fato algo novo. É novo pelo fato de não ter sido usado, mas não falo nesse tipo de novidade. Novo na essência. Muito das roupas que compramos são pra substituir roupas que já possuímos e que por algum motivo não queremos usar mais, mas não queremos deixar de usar. Entende? É o jeans escuro, a saia longa, a camiseta branca, a saia jeans, o short escuro, o terninho 'básico' (isso não é básico pra mim, mas quero ser abrangente!). Citei alguns exemplos, mas, como disse, cada um tem seus gostos. 
E o que fazer com as roupas que foram substituídas que vão fortalecendo, dia após dia, o seu status de velha, surrada, gasta, enjoada? Continuam guardadas como lembranças, ocupando espaço no armário, onde na verdade, seria o lugar da dita roupa nova? Desapeguem - embora ninguém precise me obedecer aqui. Se as roupas ganharam prazo de validade, inevitavelmente elas se transformam em resíduos vencidos para aquele alguém que as tacharam como tal. Resíduos vencidos que continuam sendo roupa, pano, tecido, costura, trabalho, design e estilo. Dê pra alguém e como mágica, mas sem ilusão alguma, o que é velho vira novo. 
Há um tempo, ouvi da minha avó que se precisa sempre deixar espaço para as coisas novas chegarem. Um dito de vó que uso para praticamente tudo na minha vida. Mas como primeiro contexto, ela disse isso se referindo a roupas. Então, compre, compre o que quiser, mas se desfaça, se desapegue, se deixe permitir se apegar novamente. A vida é um ciclo. A realidade é uma ciclo. A sociedade é um ciclo. Usa-se, deixa-se de usar e usa-se novas coisas. Mas não esqueçam de reusar, reutilizar, renovar, reciclar, re-acreditar. 

-isabellecristhinne

Comentários

Aline V. Melo disse…
Ai é verdade... o que não falta é pano... mas as vezes é NECESSÁRIO comprar algo novo!

Mundo capitalista né?

Beijos
Eu sou assim tenho varias roupas que amo mais do nada acho que nao quero mais e saio para compra outras estou me controlando mais kkkk muiiitos beiiijos lindos blog

se pode me segue beiijos
http://alexandriaespaco.blogspot.com.br/

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