desconforme



Ela acordou toda confusa. Desligou o despertador umas cinco vezes, mas ele insistia em badalar os sinos da cabeça de sua cabeça. Vestiu-se sem muito pensar. Aquela blusa de sempre, aquela calça que dá certo com tudo e um óculos escuro pra esconder o apagão que estava sentido. Desconforme. Quem nunca teve seus dias de desordem, não sabe o conforto de um dia ter as coisas no lugar. Lugar que não precisa ser certo, basta que seja de bom tamanho. No meio da tarde, ela sentiu fome. Os chocolates confessavam que não era fome de comida. Uma fome que ficava se revirando por dentro. Uma abstinência de ausências, era isso. Andava tão ligada aos passos dos outros, que qualquer passo pra trás a levava junto. Qualquer ausência alheia, a deixava ausente de si. Desajeitada, com a roupa de sempre e com o óculos escuro, ela saiu. Deixou de lado a ausência alheia e se fez presente. Saiu e voltou pra si. E a desordem...ah, não era dia de faxina.

-isabellecristhinne

Comentários

Aline V. Melo disse…
é... todo mundo tem seus dias de ausência... mas é tãooo bom quando a gente se reencontra né?

=)

Beijos

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