tereza, não ames!

-Tereza, se algum sujeito bancar o sentimental em cima de você...
-Eu não vou fazer muita média, não. Vou investigar se não é bandido e vou pra cima.
-E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde...
-Bonde? Nem existe mais isso! Do tamanho de uma memória de 3 gigas. Caracas, imagina um pc desse! Iriaa poder baixar não sei quantas músicas e baixar de graça os filmes que estão no cinema!
-Se ele chorar se ajoelhar...
-Chorar? O cara já vem todo sentimental e ainda chora? Se ele chorar bonito, elegante e não ficar todo sujo de meleca, tudo bem, também. Bandido não costuma chorar, não é? Facilita as coisas.
-Se ele se rasgar todo...
-Tirar a roupa de primeira?! Nada mal.
-Não acredita Tereza...
-Como assim? Existe homem pelado digital, agora?
-É lágrima de cinema...
-Já chorei assistindo filme de amor no cinema. Começa aquelas músicas lentas, com uma mulher mais surrurando do que cantando, a câmera fica mais lenta,as cortinas balançam...emocionante, emocionante!
-É tapeação...
-Eita, o cara começa todo romântico e no final já sai dando tapa em todo mundo. Estava muito bom para ser verdade.
-Mentira...
-Está defendendo tua raça, é?
-Cai fora.
-É melhor mesmo, eu cair fora, fugir desses que só me trazem confusão. Valeu, pelos conselhos, irmão!

...
“Mulher, Irmã, escuta-me: não ames,
Quando a teus pés um homem terno e curvo
Jurar amor, chorar pranto de sangue,
Não creias, não mulher: ele te engana!
As lágrimas são galas de mentira
E o juramento manto da perfídia.”
Joaquim M. de Macedo, dedicado à sua irmã.

...
“Tereza, se algum sujeito bancar o sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde
Se ele chorar se ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredita Tereza
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
Cai fora”
-Manuel Bandeira


Poesias inspiram esse chapéu!
beijo torto!

Comentários

Cap.8 de A Moreninha

Menina solteira
Que almeja casar,
Não caia em amar
A homem algum;
Nem seja notável
Por sua esquivança,
Não tire a esperança
De amante nenhum.

Mereçam-lhes todos
Olhares ardentes;
Suspiros ferventes
Bem pode soltar:
Não negue a nenhum
Protestos de amor;
A qualquer que for
O pode jurar.

Os velhos não devem
Formar exceção,
Porquanto eles são
Um grande partido;
Que, em falta de moço
Que fortuna faça,
Nunca foi desgraça
Um velho marido.

Ciúmes e zelos,
Amor e ternura,
Não será loucura
Fingida estudar;
Assim ganhar tudo
Moças se tem visto;
Serve muito isto
Antes de casar.

Contra os ardilosos
Oponha seu brio:
Tenha sangue-frio
Pra saber fugir;
Em todos os casos
Sempre deve estar
Pronta pra chorar,
Pronta pra rir.

Pode bem a moça,
Assim praticando,
Dos homens zombando,
A vida passar;
Mas, se aparecer
Algum toleirão,
Sem mais reflexão,
É logo casar.

Joaquim Manuel de Macedo (1844)
Anônimo disse…
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse…
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Que liindo'
Teus textos continuam perfeitos. Saudades daqui.

Bjim*
may disse…
Ta eu simplesmente ADOREI o que você fez com a poesia. E viva a criatividade!

Postagens mais visitadas deste blog

há de se ter um jeito

Carta para o meu avô