silêncio dos que pensam

Tem dias que as palavras fogem da boca. A cabeça pensa, o corpo gesticula, o olhar comunica, mas a voz se esconde. É como se as palavras se espalhassem pelo corpo e saíssem se acomodando feito pedras. Palavras doem. Uma marca de pedra na pele dói e o tempo se encarrega de esquecê-la. Não se esquece de fato uma pedrada. Sempre que uma pedra for vista, o inconsciente pensa logo: pedradas doem, mas lágrimas não cairão dos olhos por causa da lembrança de uma dor de pedra. Palavras ditas com rancor e gravadas na memória dói e o tempo tenta, arduamente, esquecê-las. Não se esquece de fato o que foi dito. Ele (o que foi dito) se perde no turbilhão de informações que a mente grava, se entranha na mais escura pasta de armazenamento da cabeça, mas basta um sinal, uma frase parecida, uma coincidência para que tudo volte ao palco principal. E a volta machuca. As lembranças se formam duras e trazem o silêncio. Nessa hora, a mais nobre das palavras não substitui a magnificência de um silêncio. Ele vem e junto, a calma se aconchega para que não se morra da mistura de emoções sentidas. O mundo barulhento não entende e ignora. Todo fazem parte desse mundo desorganizado de palavras, gritos, gargalhadas e prantos angustiados. Mas tem dias que perdemos a hora, o ônibus e a voz e resta o silencioso mundo dos que param para pensar.
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Sexta feira, dia dos namorados, shopping lotados, restaurantes lotados, cinemas lotados, filmes de amor, cenas de beijo, papel de presente nas lixeiras, fotos apaixonadas e editadas, mensagens no celular... isso não me pertence! : ) Feliz dia dos sem namorados!

Comentários

Anônimo disse…
"Palavras ditas com rancor e gravadas na memória dói"
Falta de palavras e o silencio que demonsta o desprezo tambem doi e ficam gravadas na memoria .
muito agito é doideira, pouca verdade.
Erica Ferro disse…
"Não se esquece de fato o que foi dito. Ele (o que foi dito) se perde no turbilhão de informações que a mente grava, se entranha na mais escura pasta de armazenamento da cabeça, mas basta um sinal, uma frase parecida, uma coincidência para que tudo volte ao palco principal. E a volta machuca."

Muito bom, tocante, verdadeiro!

(...)

Feliz dia dos sem namorados! [2]
fred disse…
"Palavras doem"

É verdade, mas também acarinham. É como disse o poeta Augusto dos Anjos no poema "Versos Íntimos":


"O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja."



Ótimo texto.
Bom fim de semana
Beijos
Caio Timbó disse…
Foi malz! Mas deixa pra la.

Muita gente não sabe o peso das palavras. Machucam os outros e nem sabem. contudo a falta de palavras é ainda mais doloroso e angustiante.


Bjo!

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