casa organizada dos livros bagunçados

Sou apaixonada por livros. Para mim, não existe parede mais bonita do que uma que tenha uma estante cheinha de livros. Isso logo me revela uma apaixonada, também, por bibliotecas. É lá que minha concepção de beleza se aguça ao olhar para o lado e ver livros, olhar para o outro lado e ver livros, olhar para frente e ver livros, olhar pra cima e ver o que? Lâmpadas, claro; ler no escuro não faz bem para a vista e a luz de vela, por mais que deixe o ambiente com o ar medieval e misterioso, pode ser perigoso. Imagina uma faisca se encontrando com um pedaço de papel? Agora imagina uma faísca encontrando um pedaço de papel por causa que uma distraída tacou a mão na vela? Não imagine. Seria o meu fim, ou fim de muitos livros. Biblioteca é, salvo raras exceções, sinônimo de organização. É chegar e saber onde os livros de história estão. É pedir uma informação para a babá dos livros (bibliotecária para deixar de metáfora!) e ela lhe dizer o corredor, o setor e a numeração do livro. E você vai até o corredor dito, no setor dito e procura o livro com a numeração dita e...livro na mão e a certeza de que a mulher tem poderes mágicos. Essa santa organização é incrível quando se está com pressa e precisa-se achar e alugar um livro em cinco minutos. Mas, na maioria das vezes, visito sem pressa uma biblioteca. Escolho a estante da literatura; pego um Machado, escolho uma página aleatória e leio um parágrafo. Abraço com se fosse parte de mim e pego um Veríssimo, faço a mesma coisa e abraço como se também fizesse parte de mim. Continuo nessa e quando dou por conta tenho sete livros nos braços e não sei onde é o berço deles! Sei que é por ali, mas ali não é suficiente. Colocar no lugar errado é desrespeitar as regras do lugar. Bendita organização que não me deixa colocar os sete livros em outro lugar. Muitas vezes, em lugares melhores do que eles estão no momento. Respiro e penso que se um dia eu voltar lá e procurar aquele Machado e ele não estiver no lugar que é pra estar, eu teria um ataque nervoso de indignação. Um pequeno ataque nervoso que não deixa de ser uma indignação. É por isso que meu amor pela minha estante de livro é muito maior do que meu amor pelas estantes de muito lugar. Ela é pequena e não ocupa a parede toda, mas é minha e lá estão os meus livros na ordem que eu quiser. E aposto com você como sei onde estão todos, pode perguntar. Pego um livro, começo a ler, sinto sono, o coloco na mesa, no chão (com cuidado), na bolsa para ler quando não tiver em aula, tiro da bolsa, coloco na janela, pego outro e outro e...bagunça! Mas é a bagunça literária mais organizada e divertida que eu tenho e nem precisa de numeração.

Comentários

Lili disse…
A.D.O.R.O livros tb...mas ultimamente nem tenho tempo pra ler...=(
Aline disse…
Sábado assaltei a pequena biblioteca da casa dos meus avós (aqueles da casa do portão baixinho, sem muros). Não resisti à coleção inteira da Agatha Christie e alguns clássicos da literatura nacional como Graciliano Ramos.
Aqui em São Paulo você ia amar a biblioteca central do Mackenzie, tem três andares lotados de livros, é inteira de madeira bem antiga, com aquelas escadas penduradas que correm de um lado para o outro nas prateleiras. Sinto saudades de frequentar lá e sentir aquele cheirinho de papel, de conhecimento esperando para ser descoberto.
Imagino como seria bom se eu pudesse organizar meus amores em uma estante.
Avilla Filho disse…
Adoro bibliotecas, agora, adoro ainda mais hemerotecas e arquivos públicos. Tô trabalhando na hemeroteca da UFC haha
Sou responsavel por inúmeros jornais/revistas dos anos 20 aos 80. E não é só catalogar e organizar. Tem que preservar, limpar... toda uma ciência para manter vivo registros históricos da época. Acho que todos deviam ler e ter suas pequenas bibliotecas em casa, eu não tenho nenhuma estante, mas tenho muitos livros que se distribuem pelo meu quarto. Na mesa do PC, na mochila, no guarda-roupas, no mordomo mudo. Um dia eu ponho uma dessas aquiem casa.

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