metalinguagem


-Autopsicografia - Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as dores que ele teve,
Mas só as que ele não têm.
(...)
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Já dizia Fernando..
Clarice dizia que suas palavras precisavam ser sentidas e não entendidas...
Adélia Prado escrevia o que sentia, "Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina."...
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Escritores são uns líricos mentirosos. Clarice não se achava uma escritora, ela se dizia uma amadora e queria ser sempre uma amadora - não suportaria a obrigação de ter que unir palavras; queria ser livre. Ser um escritor é poder mentir, inventar, formular desculpas que irão dar certo, fazer de um suposto final feliz um encerramento macabro e, ainda assim, deixar quem o ousa ler morto de satisfeito. A vida diária é, muitas vezes, uma monotonia. Eu afirmo: essa rotina monótona é melhor e mais suportável vivê-la do que lê-la - desconfie de mim, questione, não me dê importância. caso queira. Relatar o sofrimento do meu amor traído não é mais interessante do que o amor traído do outro. É intrigante o do outro, o desconhecido, o que não é vivido, o novo; é essa vontade curiosa de viver o que eu outro viveu ou vive ou vai viver que intriga e instiga a criatividade que vai estimular a imaginação que vai dar uma realidade mentirosa e sacana ao texto que você irá acreditar e ainda vai querer continuar sendo enrrolado. Eu sou uma lírica mentirosa sem culpa no cartório da verdade e você nem desconfia de mim - desconfie de mim, por favor!
-Isabelle C.
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Entrevista com Clarice Lispector - tv cultura - 1977
-parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=9ad7b6kqyok
-parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=TvLrJMGlnF4
-parte 3:http://www.youtube.com/watch?v=2Orgxd9bD_c

Comentários

Sejamos sempre desconfiantes até de nossos próprios sonhos e de nossos anceios. Desconfiemos sempre daquilo que vem gratuitamente enquanto coisa/ação que não acrescenta e que não motiva.
amei teu blog
Camilla disse…
Eu adoro a Clarice.

Beijos
Juliana disse…
Sou super fã da Clarice! A maioria das coisas que ela já escreveu são maravilhosas, e minha frase favorita inclusive é dela "não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito!"
Ricardo Sampaio disse…
Gostei do template. E gostei do post. Concordo com esses monstros da literatura. Escrever é viajar e viajar é ser livre. E é bom poder ser um pouco diretor eas vezes até ator, inventando e interpretando papéis, sempre pondo o coração, levando mesmo nao querendo, por vezes, a verdade.

Parabens pelo blog
Avilla Filho disse…
Eu não sou o maior fã da Clarice, sou terrivelmente extremista em poesia. Ou seja extreamente tradicional ou quebre as regras com um todo! Como ela decidiu ficar em cima do murro com suas metaforas não interessantes e escrevendo sobre assuntos kafkanianos ela não me atrai tanto, apesar deu admirar muito a epifania e a maneira que ela retrata a mente humana.
Sou o maior fã de Fernando Pessoa, muitas vezes fico declamando-as tarde da noite pra ninguém, só por achar o suprassumo da poesia. Camões, Eça de Queirós, outros da poesia portuguesa, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e alguns futuristas entre outros são os meus escritores e poetas favoritos.

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