O natal deixa as ruas mais iluminadas; camufla o cinza frio e as cores desbotadas dos muros.

De acordo com os calendários, ontem, não era natal. Era um dia de novembro. Encontrar pessoas sozinhas que estão sozinhas porque querem andando nas ruas, não é comum. Acredite e observe. O estar só deixa as pessoas, às vezes, desconfiadas de que é o destino dos olhos das pessoas que estão por perto. Isso, pelo fato de ficar só incomoda - eu não acho. Eu tinha fome, dez reais, ninguém sendo esperado por mim e ninguém me esperando.
Compro um algodão doce. Recebo nove e cinquente de troco. Algodão doce só é bom quando deixa a língua colorida, os dedos grudentos, uma sede enorme e uma vontade de comer mais. No meu caso, a fome aumentou. Pego o cardápio do restaurante e meus olhos, automaticamente, vão de encontro a tudo que é mais barato. Não, o cardápio era muito confuso. Chamo o garçom. Quem anda sem carteira, com dinheiro contado e limitado solto no bolso e pergunta o preço de tudo não chama muito a atenção de um garçom; só depois que o pedido está feito e ele tem medo que o indivíduo não pague a conte. Coitado, eu tinha nove reais e cinquenta centavos! Depois de contabilizar o pedido, peço um pastel de carne, frango e queijo. Vem a espera. Olho para as outras mesas, não tem ninguém sozinho. Só uma com um homem sentado, dois copos na mesa e uma bolsa na cadeira; esqueçe, a mulher dele chegou. Eu era única solitária sincera. Meu pastel chegou e veio sem o frango. Demorou tanto que ele desistiu, só pode, mas a fome era grande para reclamar. Eu não queria reclamar. O garçom era simpático. Volto pra casa. Sem fome e com com cinco reais no bolso. Não vejo ninguém só; começo a achar que isso, realmente, não é comum! Eu gosto de ficar só. E fico quando quero e não quando não estou bem. Eu estava bem, eu estou bem e, ontem, eu estava só.

Comentários

Avilla Filho disse…
É, o natal por si só, é uma época de ver aqueles parentes mais distantes, de comprar prensentes, de ficar mais perto daquela pessoa mais especiais; tem toda a mágica de como se a vida fosse perfeita, e claro, é efetuado em uma epoca em que as pessoas não estão estudando ou trabalhando, fazendo com que nenhuma influencia externas venha a tentar quebrar a harmonia magica de junção natalina.
É lindo, na noite de natal, vestir aquela roupa bonita( as vezes comprada pra isso) e ir para um lugar onde tá todo mundo junto ou ficar perambulando pelas casas de amigos e parentes numa noite em que a solidariedade e a felicidade parecem ter vez nesse mundo tão caótico.
Wendell Saraiva disse…
Teu texto não se trata de natal, mas da tua solidão. Porque estás só? Eu vos pergunto. Tens a mim, tem teus adoradores. Invocai-vos, vamos nos integrar. Tu sempre me esquece ;~

Não entendo esta tua solidão, solitária por opção :X

Te amo, te espero!

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