folhetim - 6ª parte.

Maria acordou cedo com o sol lhe esquentando a pele. Olhou pro chão a procura de Júlio. Não lembrava que horas tinha dormido e nem viu Júlio saindo. Levantou-se da rede e sentiu uma tontura; não estava bem. Maria sempre que sentia algo procurava tomar um banho - foi uma forma arranjada por ela, quando pequena, para acalmar os nervos e lavar o que lhe atormentava. Às vezes funcionava, em outras, a água servia pra confirmar e aumentar a moleza do seu corpo e o frio causada pela febre.
Vestiu uma roupa qualquer - quando ficava assim pouco se importava como estava o seu visual - e foi até o restaurante. Júlio estava arrumando a mesa do café da manhã, ainda era cedo e nenhum hóspede tinha descido.
-Bom dia, Maria.
-Oi, Júlio. Que horas você saiu?
-Não lembro, mas você já estava dormindo. Ia até lhe acordar para ir dormir na cama, mas não sabia se gostava de ser acordada. Fiz mal não ter acordado você?
-Ah, não se preocupe. Tem algum remédio para alguém que está para morrer de febre e dor de cabeça?
-Lá vem você com seus exageros! Tem, mas espere, vou lhe fazer um suco para doentes, certo?
-Vai me deixar boa?
-Não é nem milagre, mas você vai se sentir melhor.
Maria foi sentar no lugar mais próximo da cozinha. Deitou a cabeça na mesa, esticou os braços e ficou sentindo o frio do mármore. Não gostava de acordar daquele jeito, dor de cabeça a deixava irritava e sem vontade alguma de falar. Júlio apareceu com um copo de suco grande, meio alaranjado. Maria fez uma cara de que não ia gostar. Júlio insistiu e disse que ou ela bebia ou ficaria com aquela cara de doente o dia inteiro.
-Agora, tome esse remédio e vá se deitar, Maria, vai melhorar.
-Eu não quero ficar sozinha, posso ter alguma coisa e ninguém ver. Não vou subir, depois eu morro.
-Já sei, quer que eu suba com você, não é? É só dizer, eu faço um esforço, sou uma pessoa boa.
Maria o encarou com cara de poucos amigos, mas admitiu que queria uma companhia. Ficar doente e ainda mais só, não era boa coisa! Júlio terminou de ajeitar o restaurante e subiram. Maria caiu na cama e enfiou a cabeça entre os travesseiros.
-Maria! Desse jeito você vai morrer, mas vai ser asfixiada!
-Não é você que está prestes a ter a cabeça explodida.
Júlio sentou na cama e aconchegou Maria entre seus braços. Ele logo percebeu o seu o sono fingido, mas preferiu não incomodá-la.
-Não consigo dormir.
-Percebi. Admita, meu suco a deixou melhor. Admita...
-Obrigada. Ei, Júlio, me fala sobre St. Jouet...
-Maria, é um lugar de muitas histórias, de muitas lendas, sabia?
-Conheço algumas. Cresci ouvindo histórias sobre esse lugar.
-Dizem que sempre acontece alguma coisa inesperada com quem vem para cá.
-É?
-É, algo que vai permanecer nas suas lembranças por muito tempo. Você contará, depois, para alguém, que ficará curioso e irá vim atrás de St. Jouet Pies.
Maria, encostada em Júlio, percebeu que era verdade o que ele estava lhe dizendo. Foi sua curiosidade que lhe fez ir até lá; estava com alguém que conheceu num momento inesperado...Naquele momento, Maria entendeu os suspiros e as distrações de sua avó quando lhe narrava, lenta e detalhamente,os seus dias em St. Jouet.
.
.
não continua.
-Ler folhetim - 5ª parte abaixo.

Comentários

m.milena :) disse…
quero a 7ª.. ;'( aeuhuhe

gostei do desfecho, belzinha! tu sabe que eu sou tua fã ne? preciso nem repetir isso..
Wendell Saraiva disse…
Já? ;//

Tu é uma escritora de mão cheia :D
adorei, escreva mais Beel :D
estou à espera! ;*
Mayara Cristine disse…
esperamos pelo folhetim parte II, talvez seja Maria contando a sua neta como conheceu seu avô.. ueheuheuehe. AMEI, bel :) arrasou, pra variar
larissa disse…
Tu nem me conheçe mas acompanho o chapéu faz um tempo, você tem o dom da escrita mocinha :D
Parabéns.

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