folhetim - 5ª parte

Maria tomou banho e vestiu seu pijama de frio. Na realidade, ele não era de frio e nem era dela. Quando foi arrumar as malas, passou pelo quarto do seu irmão, abriu algumas gavetas e tirou algumas blusas grandes e o pijama nunca usado. Dormir com roupa que não aperta é muito melhor.
Maria desligou as luzes, mas mesmo assim o a luz da lua riscava a penumbra do quarto. Deitou, não tinha sono; estava cansada, mas não queria dormir. Ligou a luz, pegou um livro e o lápis comprado na feira, e começou a moldar sua madrugada. Sua coleção de lápis era algo que a deixava cuidadosa. Não suportava ver alguém mordendo a pontinha de algum lápis. Emprestava suas canetas, suas lapiseiras, mas, quase nunca, os seus lápis. Só ela os usava. Alguém bateu na porta. Maria já desconfiava de quem era. Se levantou e foi receber a visita.
-Muito educado você.
-Seu pijama é horrível, sabia?
-Agora, eu sei, obrigada pela gentileza. O que quer? Perdeu o sono?
-Não, nem o achei ainda. Vi a luz do quarto acesa. Ou você estava acordada, ou tinha medo do escuro. Vim aqui tirar a dúvida.
-É, acho que ainda estou acordada.
-O que está fazendo?
-Estava lendo.
-Posso entrar? Eu bati na porta.
-Promete não me agarrar ou me deixar trancada quando for embora?
-Nossa! Prometo!
No quarto tinha um varanda pequena. Maria armou uma rede e Júlio colocou umas almofadas no chão. Não dava para ver mais a lua, já tinha ido iluminar outro lugar. Maria falou o motivo que a levou até aquela cidade. Júlio lhe contou que o dono do hotel era o seu tio e que o deixou morar por lá. Sua família morava na cidade mesmo, mas Júlio queria morar só. Como não tinha dinheiro para pagar aluguel mensamente, conversou com o seu tio e ele lhe cedeu um quarto, com a condição de Júlio de manter o cardápio do restaurante atrante, já que ele estudava gastronomia.
-Sério? Não imaginava isso.
-Pois, acredite. A gastronomia é mais do que cozinhar, é uma arte.
-A única arte culinária que eu sei fazer é a de fazer bagunça na cozinha.
-É isso também. O que você acha que aqueles pintores fazem quando estão criando suas telas? Bagunça! E todos consideram uma arte!
-Bem pensado.
-E você, Maria, o que gosta de fazer?
-De muita coisa. Estou cursando Arquitetura, falta pouco pra terminar.
-Eu perguntei o que você gosta de fazer e não o que você faz.
-Eu gosto de arquitetura ora...eu danço. Faço sapateado há muito tempo. Pronto, lhe respondi! Gosto de arquitetura e sapateado.
-Dizem que quem dança tem muita força nas pernas!
-É verdade! Dizem que meu chute quebra um osso, acredita?
-Eita, exagerada!
A madrugada já estava indo embora, quando Júlio foi para o seu quarto. Quando saiu, Maria já estava dormindo. Quis acordá-la e dizer que costumava chover pela manhã e que era melhor sair da varanda. Chegou perto, mas preferiu deixá-la quieta. Maria lhe disse que gostava do improviso, então, deixou ela correr o risco de se molhar enquanto dormia. Poderia ser uma sensação boa. Júlio trancou a porta e jogou a chave pelo pequeno espaço perto do chão.
.
.
continua.
-ler folhetim - 4ª parte abaixo.

Comentários

bozo. disse…
Gostei desse. tou cada vez mais curioso pra saber como vai acabar. ;D

beeijo maluca. ;*
m.milena :) disse…
esse foi o melhor ate agora =P tbm to curiosa!
Avilla Filho disse…
eu achava, mas agora eu sei, Maria é setenta e cinco por cento bell!
Senhorita Torta, você escreve divinamente bem, mas acredito que sua criatividade e espotaneidade ainda podem ir além criando uma forma ainda mais singular de escrever e, parece dificil, ainda melhor.
Wendell Saraiva disse…
Impressionante!!! Maravilhoso Beel, ou seria Maria? :D

;*

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