Sorria, faça careta, seja sincero.
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Nós, bailarinas, somos mais do que uma postura ideal, um pescoço alongado, pés machucados, cabelos ensopados de gel, dores musculares e uma aparêcia meiga. Enfim, somos mais do que acham que nós somos.
Dentro da sala de dança, arranjamos forças para entrar no palco. É nela, onde nos transformamos aos poucos em personagens que irão deixar algo marcado na cara, no corpo e na alma. E no palco, por trás de sorrisos e uma aparência impecável ou adequada a situação, encaramos um público composto, principalmente, por pessoas que nos assistem sem ver. Apenas assistem. Por um público, que não nos entende. Alguns acham tudo incrível e já fazem planos para as suas filhas. Outros, criticam o cenário, o figurino, aquela que esqueceu a coreografia. Tem até aqueles que se divertem com as quedas.
É, é fácil ver e achar alguma coisa. O difícil é estar lá em cima. Não que seja uma tortura saber que tem um tanto de gente olhando pra ti. Uma única dança, de alguns minutos possui uma carga de responsabilidade grande. Não ensaiamos o tempo. Não apenas ouvimos a música. Sabemos cada trecho dela, cada parada, cada batida mais forte. Só quem dança ou dançou sabe como um minuto é demorado. Você é capaz de perceber cada segundo. E um segundo perdido é como se uma parte de você se perdesse em um labirinto. A outra parte trabalha arduamente para tentar acompanhar o tempo perdido, o passo esquecido, a pirueta fora de hora.
Luzes acesas, cortinas abertas, silêncio, espera, ansiedade. Fecha os olhos, respira fundo, alonga o pé, estrala os dedos, vai dar tudo certo. Soltaram a música. Chegou a hora de mostrar o teu esforço, tuas dores disfarçadas com brilho, sutileza e realidade. Naquela hora, o mundo é esquecido. Os problemas são temporiamente extermidados e desnecessários. Tu não se importa com quem está te vendo. A concentração está nos pés, nas marcações do palco e nos olhos do 'arteador', costumeiramente chamado de professor. A música termina, as luzes são fechadas, as cortinas não se fecham e uma lágrima de felicidade cai. Não precisa ser uma grande lágrima notável. Aquela pequena, rápida que quase, ou ninguém percebe. Estamos bem naquela hora. Com saudades, mas muito bem. Faríamos tudo novamente, mesmo com calos. E o pensamento nos corre a mente: poderia ter sido melhor.
beijo torto, gui e dinha. ;*

Comentários

Katia Borges disse…
eu ganhei beeeeeijo ;P
e tô com saudade de dançar ;~~
Camilla disse…
Você dança???
Sempre quis aprender...

Beijos

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