Poderia ter escolhido outra coisa para praticar. Mas, entre tantos, escolhi, ou fizeram minha cabeça, fazer balé. Recordo-me da cara de meu pai, quando eu citei o karatê como uma possível escolha. Não que eu gostasse da luta, mas também não tinha nenhum interesse naquela dança cheia de regras. No fim da contas, ficou o balé. A curiosidade e a vontade de aprender era grande, contrastando com um entusiamo desanimado de alguém que se acha perdida e sozinha dentro de uma sala geometrica e relativamente pequena.

Logo eu que nunca imaginei encostar os dedos da mão nos dedos do pé, fazendo aula de balé. Me adaptando ao local, me sentei, calada, em frente a sala de dança. Um espaço pequeno que magicamente cabia de qualquer jeito umas vinte e cinco meninas. Digo de qualquer jeito, pelo fato de bailarinas transformarem qualquer espaço em ideal para um alongamento.

A primeira aula pareceu interminável. A vontade de sair correndo era enorme. Todas aquelas meninas vestidas com uma roupa que me pareceu a primeira vista estranhamente colada demais, apertada demais. Estava indisciplinamente vestida, sem o coque, apenas com um cabelo preso numa liga que soltava a cada pulinho. No primeiro exercício, tive a certeza que não tinha jeito pra coisa. Grande, desengonçada, com uns joelhos pontudos, que me renderam futuramente um parabéns por ter conseguido melhorar a situação deles. Não é fácil entrar numa rotina de aula. Cada professor tem sua técnico, seu jeito de conduzir cada sequência. Eu, coitada, tinha até boa vontade, mas não conseguia decorar aquelas coisas que pareciam enrrolar as pernas. E lá vinha a professora sorrindo e dizendo: calma, é a primeira aula, você vai conseguir, só faça o que conseguir. É, eu não conseguia fazer quase nada. Ajeitava as costas, os joelhos dobravam. Ajeitava as mãos, esquecia das costas. A vontade de ir embora aumentava. Dava um sorriso pro espelho e ele me retribui uma imagem de uma menina magrinha rapaz, de cabelo escorrido em desarmonia com o ambiente.
Já se passaram seis anos, e depois de uma melhorada grande, minha professora, amiga, mãe, incentivadora, é aquela primeira professora que me pediu pra ter calma, confessou-me que não tinha tanta esperança naqueles ossos pontudos e sem ritmo algum. E, principalmente, graças a ela, hoje, de vez em quando, recebo algum elogio.
beijo torto!
-IsabelleCristhinne

Comentários

bozo. disse…
essa garotinha de osso pontudo dança muito bem. =D
Jonathan Silva disse…
Parabéns Belzinha...vc hj é um exemplo para várias pequeninas que estão começando!Só é modesta...?p~
Eu sou um grande fã seu,não por apenas vc dançar,mas por ser essa pessoa maravilhosa que é!
Até pq,aquele teu amigo com toda a certeza do mundo deve ter assistido várias apresentações tuas,já eu?o máximo que eu v ao vivo foi vc se alongando!akaakkakak!
Beijosss....vc vai longe!
Camilla disse…
Adorei o visual novo :)
H.Riedel disse…
de fato, você é uma baita duma bailarina. :]
ps.: 6 anos estica o pescoço de qualquer um.
flor disse…
ah, bel, você dança demais..
deixa de modéstia! :D
Avilla Filho disse…
É, desde que eu sei da tua exitência tu faz ballet
haeuaheuaheuaheaheuaheuahe
sem sombra de dúvidas os esportes(principalemnte aqueles envolvidos com quase uma arte) são complexos e exigem da pessoa mais do que simplemente paixão; exigem treino constante, suor, sangue exige uma persistência completamente sobrehumana em treinar aquele movimento, por mais simples ou complicado, até chegar ao mais perto da perfeição, suportar a dor e ter inúmeras contusões; inclusive treinar quando o médico fala que é loucura contundido; faz parte.
Mas no final, quando você dança na frente de todo mundo com uma perfeição invejavel ou está num tatame exibindo o quanto você é fera e humilhando aquele oponente mais relaxado, tudo isso vira detalhe.
Wendell disse…
Nunva te vi dançando, mas tenho uma grande convicção que deve ser um espetáculo maravilhoso. Beeeijos beel. (:

Postagens mais visitadas deste blog

tereza, não ames!

há de se ter um jeito

Carta para o meu avô