Comidas de rua!

Certas comidas escondem mistérios. Mistérios esses que são simples, rapidinhos e baratos. Não falo de temperos estranhos, de nomes difíceis e de gostos nobres e exoticamente duvidosos, falo dos lanches de rua, daquelas comidinhas que enganam sua fome no momento mais apressado ou quando só se tem moedas nos bolsos.
Têm os sucos de todos os tipos no quiosque da esquina; os churros com recheio de chocolate e doce de leite feitos na hora da banquinha na praça; os sanduíches da senhora simpática que mora na rua ao lado; os pastéis exageradamente cheios de queijo; o camarão do homem barulhento e estiloso da praia; a batata frita no carrinho perto da parada de ônibus; as trufas de chocolate na caixinha da menina na porta do colégio; os picolés mais gelados do tio que passa sempre ao meio dia naquela rua; água de côco da lanchonete da esquina; e todas as coisas que são vendidas pelo mundo sem nota fiscal. É na rua, também, que se encontra o lado ousado dos alimentos, coisa que não se encontra em lugares mais arrumadinhos: um sanduíche com dez centímetro de carne, ou um pacote de nuggets com litro de molho. E volto a repetir: tudo isso por menos de cinco reais (quase sempre, muito menos que cinco reais).
Nem tudo é de boa procedência. Melhor, nem tudo é feito, cortado, embalado de forma higiênica, mas a maioria tem um sabor incrível. É quase impossível fazer com que uma batata frita feita em casa, com óleo novo e panela brilhantemente limpa, fique com o gosto das batatas feitas na rua, com o óleo de três dias, em uma panela enorme marcada pelo uso. Em casa, o sabor fica limpo demais, certinho demais e sem graça demais! Na rua, tem a emoção de comer em pé esperando o ônibus, a fome correndo tudo que é de estômago, intestino e essas coisas.
Enquanto que no fast-food de sandúiches da moda compra-se um sanduíche, na rua se compra-se dois sanduíches, vários copinhos de refrigerante (muitas vezes sem gás, mas lembre-se que você estará com sede) ou suco (muitas vezes soterrado de açucar)e ainda acompanha a sobremesa: o chocolate caseira da irmã do vendedor de sanduíche por cinquenta centavos!
Que mistérios é esse? Que tempero secreto invade esses alimentos? Não tenho absoluta certeza, mas guardo em mim uma ótima sugestão. O segredo é: a necessidade de vender tudo e levar o dinheiro para casa no fim do dia para usar nas despesas da casa e amor. Bem, não acredito que o vendedor abusado de pastel faço aquilo por amor, mas a velhinha do sanduíche...essa sim põe amor e simpatia na suas receitas secretas para jovens em crescimento. Pode até ter, mas quem vai para rua vender coisas no grito não é nenhum rico. Pode ser uma pessoa cheia de felicidade, mas não cheia de dinheiro. E isso não é vergonhoso, nem humilhante, nem o fim do mundo.
Eu, mesmo, vendo rosas para por no cabelo que minha avó faz para as meninas que ficaram loucas pelas rosinhas que eu costumo usar. Para não sequestrarem as minhas rosas, estou vendendo para elas. Isso não tem nada a ver com comidas, mas o que vale é intenção: receber algum dinheiro por isso e deixar as pessoas felizes! Quem come, acha bom e fica feliz; quem usa as rosas, fica bonita e fica feliz! E, nós, os vendedores de coisas, ficamos com dinheiro e felizes. Belo ciclo.
Bem, deixe-me lhe dizer outra sugestão, por sinal a melhor até agora, para o mistério. Como Deus é bom e olhar por todos, ele permite que toda a poeira do asfalto, areia, tudo que é de gás tóxico que sai dos escapamentos do carros circule essas comidas como um espírito do bem e entre nas suas composições, as deixando com um tempero único. Em nossas casas, quase não se tem poeira de asfalto, não é? Então, a nossa batata frita não vai ficar tão boa (vai ficar sem graça e murcha!)
Obrigada, pessoas que vendem coisas nas ruas por esses momentos de prazer alimentar.
Meu Deus, faça que nenhuma dessas coisas me faça mal.
Amém.

Comentários

ccauan disse…
huehehehehehe!
gostei! texto engraçado.. ;D
mas não sei se tudo é assim tão belo e mar-de-rosas.
ah, não sei se de alguma forma ando pondo fumaça de escapamento e poeira de asfalto nas minha babatinhas, mas faço batatinha ótimas, modéstia parte :P
muito bom... é sempre bom ler coisas leves e descontraídas pra relaxar ;D
beijOo
Anônimo disse…
Texto incrível... Amei!!!!!!!

Particularmente adoro o sebosão do calçadão (cachorro quente), o milho cozido na mesma água uma semana e o churrasquinho de gato kkkkkkkkk Adoooooro! Infecção intestinal? kkkkkk Já tive muitas, mas olha, isso até que me ajudou a perder uns quilinhos. kkkkkkk

Nota 10! kkkkkkkkk muito leve e criativo.
Isabella.
Aline V. disse…
tb tenho uma sugestão para o tempero...hahaha mas é melhor deixar sem comentar...
Mas que a batata do tio é bem melhor que a que a gente faz em casa, isso sem dúvida nenhuma!!! =)

Adoreiii

beijokas
Thais Motta disse…
AMÉM !
Que Deus nos proteja de infecções , e que qualquer tipo de bactéria nos atrapalhe . Eu tb adoro essas comidinhas de rua , e sou quase dependentes delas . Afinal , quando a gente tenta fazer em casa , nunca fica igual mesmo..

Teu texto é fantástico .
Adorei muito mesmo ..

Um beijo ;*
Fernanda disse…
Geralmente não costumo comer coisas fora de casa não,e nem sei por que mas devmos agradecer a esses vendedores,por que eles sempre fazem o dia ser mais doce.
Fe disse…
Adoreeeei! rsrrs
Adoro as comidas de rua! Apesar de já ter "engordado" uns quilos só de ler o seu texto! hehehhe
Mas nem dá nada... ;]

bjobjo.
Thais Motta disse…
Deixei um selinho pra você no meu blog .

Passa lá quando der ,

Um beijo
a bactéria é que dá o gostinho especial, não sabia?
Nath Ataíde disse…
Oii :)

Beem, eu e umas amigas, estamos com um projeto de lançar um livro com alguns textos de blogueiros "anônimos" da Internet. Achamos que tem muita gente boa, muitos escritores super talentosos que estão se perdendo nesse mundo virtual. Li seu blog e você é uma dessas pessoas que tem textos interessantes. Então eu convido você a participar dessa comunidade no orkut http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=95499606 e lá você e as outras pessoas podem mandar seus blogs e será feita uma votação para escolher os melhores textos que sairão no livro. Claro, isso é um projeto, mas conto com a sua ajuda para que isso se torne cada vez mais real.

Obrigada !!
Erica Ferro disse…
hauhauhashasuhs.

Amém!

Adorei esse texto. Não é que penso assim também, menina?
Ai, só uma coisa: me bateu uma fome lendo teus posts, pior que eu tô de dieta, hihi.

Beijo.
Solange Maia disse…
Isa,

Achei fantástico seu texto. Achou mágica no lugar comum, no vendedor de comida, no sabor especial, no dia-a-dia...

Li outros textos aqui e gostei muito.

Gosto da "brincadeira" que faz com as palavras.... gosto dessa habilidade !!!


Parabéns !

e beijo...
Dos Anjos. disse…
Meu Deus, faça que nenhuma dessas coisas me faça mal.
Amém.

Tiipo, sei bem dessa 'magia': não como cachorro quente em casa de modo algum, e sempre digo odiar salsicha! Mas na finaleira das festas, degusto um cachorro quente de procedência duvidosa SEM-PRE! E não adianta que não tem o mesmo gosto do jeito em casa! haha!

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